Já sei!

Você vai dizer que estou atrasada para comentar a aprovação do Estatuto da Igual Racial, mas, na verdade, eu tentei foi refletir se valia a pena comentar o assunto ou não.

Afinal, é um tema delicado.

Movimentos negros queriam a reserva de cotas nas universidades. Outros movimentos, igualmente negros, defendiam a idéia de que as cotas eram discricionárias, favoreciam o racismo.

Enfim... Faca de dois gumes.

Concordo com boa parte das alegações dos movimentos negros, de que os negros foram excluídos por séculos, desde o descobrimento. E que a situação atual, em que eles compõem a maior parte das classes menos favorecidas economicamente falando, é consequência direta disso.

Até aí, é possível compreender e concordar com o raciocínio.

Mas também é preciso entender que as cotas simplesmente oficializariam o racismo no país.

Afinal, o próprio IBGE já disse que, desde dezembro do ano passado, negros e pardos são a maioria da população.

Então, como reservar cotas, por critério de cor de pele, para a maioria?

Se alguém falasse em cotas por critérios sócio-econômicos, eu até ficaria quieta. Deixariam o assunto passar em branco.

Mas cotas por cor da pele???

É inconcebível!

Felizmente, o bom senso prevaleceu e, na quarta-feira, foi aprovado o Estatuto sem a reserva de cotas.

Corrigir distorções históricas não se faz com a criação de novas distorções.

Isso é ponto pacífico.

Exacerbar sentimentos é um jogo perigoso.

E era exatamente isso o que vinha acontecendo.

Ainda bem que a discussão conduziu ao bom senso...

Ainda bem que continuamos um "país mestiço", como alguém disse muito tempo atrás...