O assunto ainda é o mesmo: os três anos do atentado ao WTC, a queda das torres, os quase 3 mil mortos, o avião no Pentágono e o quarto avião que explodiu sobre o campo.

Três anos de consolidação do ódio religioso, do fanatismo injustificado, da reação ao imperialismo moderno, da resistência à ocupação e exploração estrangeira...

Parece discurso superado de esquerda sepultada?

Talvez... Mas é a mais pura verdade, nos dias hoje.

Três anos depois da tragédia, é impossível não refletir sobre os desdobramentos do 11 de setembro.

É impossível não chegar ao 11 de março deste ano e as atrocidades cometidas na estação de Atocha, na Espanha.

É impossível não rememorar sei lá quantos dias de ocupação do Iraque e as atrocidades cometidas pelos americanos.

É muita coisa ruim que se sucede e se sobrepõem, num jogo de erros catastrófico e sangrento.

É impossível não pensar nos homens-bomba detonando a paz no Oriente Médio e nos dirigentes do tipo Sharon, semeando ódio por todos os cantos.

É impossível não lembrar de Sarajevo...

É impossível esquecer a Chechênia, ainda mais depois do massacre de mais de 100 crianças...

E isso a gente pode sentir em um filme muito especial, que tive a oportunidade de ver ontem...

Trata-se de 11'09"01 (ou, simplesmente, 11 de setembro).

É uma reunião de documentários reflexivos sobre os atentados, assinados por 11 diretores de diferentes partes do globo.

Em que pese a sorte de se poder analisar o 11 de setembro sob a ótica de diversas culturas e crenças, o filme tem um trunfo: o gênio que atende pelo nome de Claude Lelouch.

Se puder, veja o filme!

Não há como ficar impassível ou indiferente.

Se não pela tragédia em si, pela reflexão forçada sobre o que levou a situação a explodir sob a forma de aviões que derrubaram as torres.

E preste atenção - mas muita atenção - ao documentário assinado por Lelouch.

Você certamente vai descobrir uma obra-prima!

Sensível, inteligente e avassaladora.

Por que desnuda a alma diante da tragédia e desenha a tragédia em nosso dia-a-dia.

O que parece distante, pode nos afetar intimamente, mudar o curso de nossa vida.

E Lelouch conseguiu mostrar isso. Com uma perfeição que chega a ser dolorida.

Mas que, acima de tudo, mostra que a vida é muito mais do que isso que alguns poucos nos querem fazer crer...

A vida é muito mais que a solidão do silêncio ou que a explosão de ódio. A vida é mais até que o amor...