Ano eleitoral é algo realmente sério...

Se não pela importância da escolha, pelo menos pela oportunidade de avaliarmos a quantas anda o nível das opções que nos são oferecidas.

Aliás... Você já reparou como, nos últimos tempos, as coisas andam se agravando, em todos os sentidos?

Quanto mais a gente pensa que está próximo da moralização, mais corruptos aparecem, novos tipos de golpe, novas falcatruas, novos prejuízos...

Prejuízo maior e constante, no entanto, está na desqualificação dos candidatos. São raríssimos aqueles que estão verdadeiramente preparados para assumir um cargo público, aqueles que buscam informações confiáveis e que buscam conhecer o esquema de funcionamento do Poder Legislativo (neste ano, o caso é das Câmaras de Vereadores) e as obrigações de quem quer chegar ao Executivo (entenda-se Prefeitura).

Vamos de mal a pior e parece que não conseguimos estabelecer critérios para escolher quem será candidato.

Veja só esta notícia e perceba o quanto é impressionante esta sucessão de números:

"Informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que 24,2% dos 377 mil candidatos a prefeito, vice ou a vereador nas eleições municipais de outubro não possuem ensino fundamental completo. Além deles, que declararam não ter completado o antigo primeiro grau, outros 4,9% disseram apenas saber 'ler e escrever'.

"Os que completaram o ensino médio somam 27,4%. Apenas 15,8% dos candidatos têm diploma de curso superior. Já entre os prefeitos, o índice de candidatos com formação superior sobe para 42%.

"'O perfil é o mesmo do eleitorado brasileiro e não mudou nas últimas décadas, não se pode esperar que uma população com baixa escolaridade escolha representantes com alto grau de instrução', avalia Octaciano Nogueira, professor de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasília), em declarações à Folha de S. Paulo.

"Outro dado do TSE mostra que o PT lançou 37,4 mil candidatos para as eleições municipais. Em 2000 foram 26 mil candidatos a prefeito, vice e vereador pelo partido de Lula. Outros partidos da base aliada do governo federal que aumentaram o número de candidatos foram o PL, o PPS e o PSB.

"PSDB, PFL e PDT diminuíram o número de candidatos. A redução mais significativa ficou com os pefelistas, que caíram de 45 mil candidatos em 2000 para 34 mil este ano.

"No total, o número geral dos candidatos neste ano será menor do que em 2000. Naquele ano, foram 382 mil, contra os atuais 377 mil.

"O crescimento da participação feminina nas candidaturas foi baixo. Em 2000, elas eram 18,7% dos concorrentes; neste ano serão 21,3%." (Redação Terra)

Para mim, o problema não está no número de candidatos lançados por este ou aquele partido, mas sim na qualidade de tais candidatos.

Sério!

Candidato tem de ter qualidade. Aliás, devíamos estabelecer um padrão de qualidade para candidatos a cargos eletivos.

Não adianta argumentar que o analfabeto de fato ou o "analfabeto funcional" ou o "analfabeto digital", ou qualquer coisa semelhante, tem direito a votar e ser votado.

O direito existe e eu o reconheço.

O que eu questiono é a qualidade dos serviços que serão prestados por quem, em última instância, não consegue ler um texto e interpretá-lo corretamente. Traduzindo: por quem não consegue entender o que está escrito.

Será que a gente se lembra de que legislar ou governar uma cidade requer atenção, detalhismo, perfeccionismo, porque o que está em jogo é a qualidade de vida de toda uma população?

Será que devemos ceder à vaidade pessoal de quem apenas quer o "status" de ocupar uma cadeira na Câmara dos Vereadores ou o trono do município?

Pare para pensar...

Você confia plenamente em quem não consegue entender uma frase escrita?

O que será que acontece quando uma lei capciosa, ou de intenções duvidosas, é apresentada e um vereador não consegue interpretá-la corretamente?

Quem paga a conta?


???


Pense nisso...

Reflita muito...

Depois você me dá a resposta...