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Não tem um ditado que diz "antes tarde do que nunca"?
Pois é... Pelo visto, no Brasil as coisas são sempre assim - antes tarde do que nunca...
Como nunca é algo que incomoda demais, o melhor mesmo é ir adiando até o quase inevitável. Aí, como já é bastante tarde, é só fazer do jeito mais complicado...
Do que estou falando?
Ora, do famoso "jeitinho brasileiro", das soluções mágicas que se arranja, antes de se partir para as soluções mais práticas, menos rebuscadas e mais eficientes.
Quer um exemplo? A questão da biodiversidade, da defesa do nosso meio ambiente e da prevenção da pirataria.
Se não há fiscalização, não há punição e nem meios de se coibir a prática do crime, certo?
Pois então!... E como fiscalizar, se não há a definição legal do crime, que possa "municiar" a polícia e os fiscais?
Viu a roda-viva?
Pois agora, finalmente, parece que a Polícia Federal vai agir... Veja só:
"Brasília - O aumento dos crimes contra o meio ambiente, o patrimônio histórico e cultural levou a Polícia Federal a avaliar a necessidade de criar uma nova disciplina curricular na Academia Nacional de Polícia (ANP), voltada para essas áreas. A PF, que já montou um grupo especial para combater este tipo de crime, agora pretende aperfeiçoar todos seus futuros agentes e delegados.
"A equipe trabalha atualmente em três grandes operações para a recuperação de peças históricas, fósseis e extração ilegal de mogno na Amazônia. Paralelamente a isso, a PF vai tentar tornar mais severa a legislação para crimes ambientais e contra o patrimônio público. 'Nos últimos dias temos apreendido peças históricas e diversos tipos de fósseis que são tirados de locais tombados pelo governo. No entanto, nossas leis são leves para este tipo de crime', afirma o delegado Jorge Barbosa Pontes, coordenador da área de Meio Ambiente e Patrimônio (Comap) da PF.
"O delegado, que é especialista neste tipo de crime, é responsável também pelas ações que investigam a extração ilegal de mogno no Sul do Pará e pela operação 'Cretáceo', no Nordeste, que combate o transporte, a exploração ilegal e a retirada de fósseis, principalmente no sertão do Piauí, um dos maiores sítios arqueológicos brasileiros. 'Estamos trabalhando em conjunto com as superintendências regionais da PF, Ministério Público Federal e o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) para tentar diminuir a saída ilegal de fósseis no País', afirma Pontes.
"O diretor de Polícia Fazendária da PF, Alciomar Goersch, quer aumentar o número de policiais para esta área e uma das pretensões é implantar na ANP uma disciplina voltada para o meio ambiente e patrimônio público, além de colocar em funcionamento um sistema rápido de recebimento e apuração das denúncias. 'Em um só dia conseguimos recuperar duas ânforas em madeira entalhada, graças às denúncias', observa o delegado.
"As peças estavam tombadas na Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, no Rio de Janeiro, e estavam desaparecidas há quase quatro anos. No Piauí, centenas de ossos de dinossauros e materiais pré-históricos também já foram localizados pela PF, no mês passado. Tudo seria enviado ao exterior." (Agência Estado)
É a tal história... Depois de a casa arrombada, coloca-se a tranca... Depois que o material mais valioso já foi levado embora, cria-se a lei necessária para impedir que ele seja roubado...
É a política do antes tarde do que nunca...
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