Existem algumas pessoas que são especiais. Algumas mulheres, dentre elas, são mais que isso. Conseguem ser verdadeiras sacerdotisas modernas.

Eu já conhecia uma com esses predicados. E tive a honra de conhecer outra.

Em comum, o fato de serem sacerdotisas modernas, que em nada diferem das mulheres comuns, mas que, ao mesmo tempo, têm a aura das grandes mestras, das grandes bruxas, como se fossem a encarnação de um dos aspectos da divindade.

Em comum, também, o fato de se chamarem Márcia.

Uma, é Márcia Villas-Boas, a quem reverencio como escritora, mulher e bruxa.

Outra, é Márcia Frazão, a quem estou aprendendo a reverenciar como escritora, mulher e bruxa.

Parece até uma repetitiva lista de elogios, não é mesmo?

No entanto, quem as conhece, sabe do que estou falando. É impossível conversar com uma delas, sem que se tenha a agradável sensação de se estar falando com o aspecto divino que habita em nós.

É como se topássemos, de repente, com o espelho que reflete esse aspecto, com um oráculo ambulante, que nos ensina que o oráculo somos nós, que tudo está em nós e é preciso aprender a enxergar isso.

Uma, eu chamo de Senhora do Lago. A outra, não penso em outra forma de chamamento que não de Senhora das Ervas.

E ainda que nenhuma das duas goste de "apelidos" que consideram superlativos, o sentimento que provocam não permite que se chegue a algo menor.

A coerência e a força que as caracterizam, tornam impossível não reverenciá-las.

E como tudo que tem esse quê divino, também elas são objeto de amor e ódio, mas nunca de indiferença.

E sabe o que mais admiro, nas duas? A coragem de serem o que são. Sem concessões, sem meias palavras, sem buscar a projeção fácil da mídia, fiéis ao que aprenderam e ao que ensinam. Fiéis à verdade da vida, sob todas as suas formas.

E se assim elas são, como negar o divino que nelas habita e que elas nos mostram, em nós mesmos, com tanto amor?

Ave, Márcias!

Que os deuses as iluminem eternamente...