|
Você já reparou como coisas simples podem nos dar um grande prazer?
É tão óbvio, tanta gente diz isso, que a gente acaba esquecendo. E se surpreende, quando se depara com essa sensação normalmente distante, que é a de ter momentos de profunda felicidade, em meio à simplicidade.
Por que estou falando isso?
Talvez porque eu tenha vivido momentos assim, agora a pouco...
Vendo o programa de Jô Soares, topei com os três tenores brasileiros - de quem não guardei o nome... Não é menosprezo, não. É que minha memória às vezes prega umas peças sem graça. Como agora!
Mas vendo aqueles três tenores - um deles jovem, com uma bela voz e muito talentoso -, lembrei dos três tenores. Aqueles bam-bam-bans do canto lírico que encantam o mundo: José Carreras, Luciano Pavarotti e o fantástico Plácido Domingo.
Daí a lembrar que havia gravado o show deles seis anos atrás, em plena cerimônia de encerramento da Copa do Mundo de 94, foi um pulo. E pulo eu dei em direção aos meus tesouros, para caçar a tal fita.
Ah!, desculpe! Você não sabe quais são os meus tesouros... São algumas "coisinhas" que guardo como relíquias. Fitas de áudio e vídeo, discos em vinil, disquetes com midis... Um amontoado de coisas que ocupam muito lugar, mas guardam momentos ainda maiores, mais preciosos. Entre elas está a tal fita, com o concerto dos três tenores em Los Angeles.
E foram horas ouvindo as três maravilhas, podendo recordar suas brincadeiras vocais, embevecida com tanto talento e técnica. E me divertindo, é óbvio!
Afinal, ninguém esquece de Carreras, pequenino, espremido entre o gigantesco Pavarotti e seu lenço branco nas mãos, e o poderoso Domingo, com seu vozeirão. Cantando, Carreras ia crescendo, como quem sobe uma escada. E eu brincando, dizendo que ele parecia buscar um banquinho, para ficar na mesma altura física que os outros dois.
Brincadeiras à parte, o preciosismo daquela apresentação - com direito a Zubin Metha regendo a orquestra - é uma jóia rara. E como ver uma jóia rara é sempre um prazer, pude tirar a prova e confirmar que os grandes prazeres da vida estão nas coisas mais simples.
Como ouvir uma boa música, esparramada no sofá, simplesmente deixando que o som entre pelo corpo e aquiete a alma...
E quando esse som vem de vozes privilegiadas, como as de Carreras, Domingo e Pavarotti, uma outra certeza inunda o espírito da gente: com coisas tão belas brotando da alma, a gente só pode acreditar que os deuses existem...
|
|