Sei que você já deve estar "pelas tampas", com tanta história sobre política - principalmente aqui, neste cantinho...

Afinal, lá se vão cinco anos de Coluna e acho que este é o tema que mais aparece neste nosso bate-papo. Mas... Pense bem!

Você consegue conceber a sua vida sem política?

Pense direitinho... Detalhadamente...

É política econômica... Política de geração de empregos... Política social... Política cultural...

Tem de tudo!

E o que sobra, é falsa promessa, projeto não cumprido, carências de todos os tipos, sofrimentos de todos os gêneros...

E o que sobra é presunção, salvadores da pátria, verdadeiros astros sob holofotes por onde quer que passem, bate-boca descontrolado, cada vez que adversários se encontram...

E falta vergonha na cara, dignidade, palavra cumprida, projeto bem implantado, políticas verdadeiras e com resultados verdadeiros.

Já vivemos os milagre econômico (nos anos 80, do século XX), já vivemos o abismo da hiper-inflação, os desmandos da ditadura, a vergonha do Centrão, escândalos de todos os gêneros e envolvimentos dos mais absurdos dos nossos políticos...

Acho que só faltou mesmo algo no estilo Monica Lewinsky...

Acho - porque não dá pra ter certeza, no meio de tantas mazelas, de tantas sandices.

Enquanto olho para a nossa História, arrisco um olho para as terras do Tio Sam e, por cima do muro, a gente enxerga as coisas mais absurdas, que mostram que a "maior democracia" do mundo não é tão democrata assim e que lá (como cá), as coisas pegam fogo como aqui...

Arrisco erguer a cabeça um pouco e vejo, mais adiante, as vergonhas que acontecem na Rússia e na China, enxergo as chacinas no Afeganistão, em Israel, na Palestina, na África...

Giro a cabeça um pouco mais e vejo distúrbios violentos e injustificados na Europa e confusão na Austrália... Vejo velhos regimes instalados confortavelmente em todos os continentes, sedimentados sobre a violência e o desrespeito à vida.

No horizonte, enxergo apenas um mundo banhado em sangue - de humanos e de outros animais, onde a vida é apenas um acessório, um degrau que leva mais rapidamente ao poder e à riqueza.

Corrupção, sandices, violência desmedida.

Esse é o resumo do que se vê, quando saímos de nosso buraco e nos aventuramos a olhar o mundo.

Você pode até dizer que eu sou pessimista, que me valho apenas das desgraças, para conversar aqui.

Mas eu vou desmentir e garantir que estou em busca de vida, de esperança, de sinais de civilização por parte dos ditos seres pensantes do planeta.

Você pode contra-argumentar que, em alguns lugares, é preciso usar a força para favorecer a liberdade, jurar de pés juntos que Bush é o homem certo para conduzir a única super-potência do planeta pelos próximos quatro anos... Pode até pensar que Maluf seria o prefeito ideal para São Paulo!

E eu vou ser obrigada a dizer que respeito sua maneira de pensar, mas que discordo com veemência, em nome da vida e da vergonha e do respeito!

E a gente vai ficar aqui, por horas e horas, discutindo o certo e o errado, pensando sempre que o certo é o nosso lado e que o errado é o lado dos outros.

Vamos ficar aqui, interminavelmente, tentando entender como o outro lado pode ser tão obtuso, como ser tão cego ou tão retrógrado, tão reacionário e tão discriminatório...

Vamos passar boa parte de nossa vida, tentando convencer o outro lado de que o erro está em sua filosofia de vida, que seus ideais estão superados ou equivocados...

E o que estaremos fazendo, então?

Política...

Fazer o quê?

São coisas da vida...