Segundona braba, com cara de sábado!...

Por mais que meu lado Garfield tente se manifestar, o dia hoje é de festa. Afinal, meus sobrinhos completam oito anos!

e pensar que eles quase nasceram no Fuquinha velho de guerra!... E lá se vão oito anos de estripulias e sustos...

Mas também lá se vão oito anos de diversões e aprendizado.

Aprender como é bonito o mundo da fantasia é algo que só uma criança pode ensinar. Assim como conhecer os dinossauros "de cabo a rabo" e identificá-los apenas pelo formato das patas também é coisa de criança - mesmo que seja uma criança bem adulta, que adora ficar cutucando pedras e farejando fósseis...

É uma delícia observar uma criança, enquanto ela curte o mundo da fantasia...

E tome desenho japonês, contos de dragões, carros super-velozes, bonecas super-charmosas, super-homem...

Super-homem!...

O lado triste da segundona braba é a mais nova ausência na vida da gente.

Christopher Reeve se foi.

"Nova York - O ator americano Christopher Reeve, de 52 anos, morreu ontem por problemas no coração, segundo informou seu assessor Wesley Combs. Ele tinha entrado em coma no sábado, após sofrer uma parada cardíaca enquanto estava em sua casa, em Nova York. Reeve tornou-se mundialmente conhecido nas décadas de 1970 e 1980, ao estrelar a série Superman para o cinema.

"Em maio de 1995, ele caiu de um cavalo durante uma competição, fraturou a coluna e ficou meses entre a vida e a morte. Tetraplégico, tornou-se um dos grandes ativistas mundiais na defesa do desenvolvimento de pesquisas para problemas na coluna.

"Em 2000, Reeve era capaz de mover o dedo indicador, e um trabalho especial tornou suas pernas e braços mais fortes. Ele também voltou a ter sensações em outras partes do corpo." (AP/Agência Estado)

Pois é...

Com Reeve se vai um pouco da nossa própria fantasia...

Ele foi o primeiro homem a "voar de verdade" no cinema...

Lembro-me bem do que acontecia nas salas de projeção, quando o filme estreou.

Quando rodava a cena do primeiro vôo e quando Super-homem levava Louis Lane para um passeio sobre a megalópole, era algo indescritível.

As imagens levavam a gente com elas e a gente podia voar, presos à capa que Reeve usava na tela.

Tinha gente que abusava e aproveitava o escurinho do cinema para cheirar lança-perfume e aproveitar o "embalo"...

Tinha quase de tudo, dentro do cinema...

E a gente voltava dias depois, para voar mais um pouquinho.

Depois do acidente, ficou o exemplo de persistência, quase que de teimosia de Reeve.

Em uma cadeira especial, ele peregrinou pelo mundo e pelos mais importantes programas do planeta, pedindo que os tetraplégicos tivessem uma chance...

Acho que a cadeira foi a criptonita que Reeve transformou em cristal puro...

Talvez ele tenha sido o verdadeiro Super-homem!

E agora, quando meus sobrinhos virem os filmes do super-herói em alguma "sessão da tarde", na TV, vou poder dizer a eles quem foi Christopher Reeve. Com uma ponta de saudade...