- Coluna da Sal - Bocelli






Ele está chegando!!!

Bocelli chega hoje!!!

Hip-hip-hip-hurra!!!

Fiu-fiu!

Ueba!!

Ops!...

Não se espante, por favor!...

Bocelli é o mais novo membro da família e chega à cidade hoje.

É certo que sua história é comovente. Mais certo, ainda, é o fato de que ele vai ter um bom período de adaptação.

Mas também é certo (certíssimo!!!) de que já é amado e que a torcida toda é para que ele se adapte ao calor e também às suas novas "irmãs". Afinal, ele vai encontrar nada menos que três "meninas" na casa nova.

Do que e de quem estou falando?

De Bocelli - um cão muito, muito especial.

Um akita cego, que deve estar com cerca de 9 anos, que foi encontrado por uma pessoa especial.

Infelizmente, sua dona se foi esta semana e Bocelli carecia de, mais uma vez, encontrar um novo lar.

Foi assim que decidimos (aqui é assim: tudo é decidido em conjunto...) trazê-lo de São Paulo para Araçatuba.

E Bocelli está vindo!

Vai passar uns dias numa clínica, para um check-up completo. Afinal, ele merece!...

Depois, vem pra casa - a sua nova casa.

E daqui não sai - já me adianto e aviso aos mais afoitos, que possam desejá-lo também...

E também aviso à quem interessar possa: sua vinda não é um simples gesto de caridade ou coisa parecida.

É um ato de amor, acima de tudo.

Amor pelo bicho, que merece respeito e ser tratado com dignidade.

Amor por sua dona - que sempre mostrou uma afeição ilimitada por ele e certamente está feliz por nossa decisão.

E amor por nós mesmas (a tropa aqui de casa). Afinal, a vinda de outro cão vai movimentar ainda mais nossas vidas - em todos os sentidos.

Não pensem que é sentimentalismo barato, o que nos move a trazê-lo.

É um sentimento indescritível.

Mas que bem pode ser imaginado a partir de um texto que roda a Web e que é comovente, se não constrangedor.

Mas esse texto vale muito, porque ao menos tenta nos mostrar o outro lado da moeda...

Afinal, você já parou para pensar no que sente um animal, quando é desprezado e abandonado? Quando é maltratado e agredido?

Não?

Então... Prepare-se!

Pegue uma caixa de lenços, concentre-se e leia...

"Diário de um cão


"· Primeiro mês - Minha mamãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar!

"· Dois meses depois - Hoje me separaram de minha mamãe. Ela estava muito inquieta e com seu olhar, disse-me adeus. Espero que a minha nova 'família humana' cuide tão bem de mim como ela o fez.

"· Quatro meses depois - Cresci rápido, tudo me chama a atenção. Há várias crianças na casa e para mim são como 'irmãozinhos'. Somos muito brincalhões, eles me puxam rabo e eu os mordo de brincadeira.

"· Cinco meses depois - Hoje me deram uma bronca. Minha dona se incomodou porque fiz 'pipi' dentro de casa. Mas nunca me haviam ensinado onde deveria fazê-lo. Além do que, durmo no hall de entrada. Não deu para agüentar.

"· Oito meses depois - Sou um cão feliz! Tenho o calor de um lar; sinto-me tão seguro, tão protegido. Acho que a minha família humana me ama e me consente muitas coisas. O pátio é todinho para mim e, às vezes, me excedo, cavando na terra como meus antepassados, os lobos quando escondiam a comida. Nunca me educam. Deve ser correto tudo o que faço.

"· 12 meses depois - Hoje completo um ano. Sou um cão adulto. Meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam. Que orgulho devem ter de mim!

"· 13 meses depois - Hoje me acorrentaram e fico quase sem poder movimentar-me até onde tem um raio de sol ou quando quero alguma sombra. Dizem que vão me observar e que sou um ingrato. Não compreendo nada do que está acontecendo.

"· 15 meses depois - Já nada é igual... moro na varanda. Sinto-me muito só. Minha família já não me quer! Às vezes esquecem que tenho fome e sede. Quando chove, não tenho teto que me abrigue...

"· 16 meses depois - Hoje me desceram da varanda. Estou certo de que minha família me perdoou. Eu fiquei tão contente que pulava com gosto. Meu rabo parecia um ventilador. Além disso, vão levar-me a passear em sua companhia! Nos direcionamos para a rodovia e, de repente, pararam o automóvel. Abriram a porta e eu desci feliz, pensando que passaríamos nosso dia no campo. Não compreendo porque fecharam a porta e se foram. 'Ouçam, Esperem!' lati... se esqueceram de mim... Corri atrás do carro com todas as minhas forças. Minha angústia crescia ao perceber que quase perdia o fôlego e eles não paravam. Haviam me esquecido!

"· 17 meses depois - Procurei em vão achar o caminho de volta ao lar. Estou e sinto-me perdido! No meu caminho existem pessoas de bom coração que me olham com tristeza e me dão algum alimento. Eu lhes agradeço com o meu olhar, desde o fundo de minh'alma. Eu gostaria que me adotassem: seria leal como ninguém! Mas somente dizem: 'pobre cãozinho, deve ter se perdido'.

"· 18 meses depois - Um dia destes, passei perto de uma escola e vi muitas crianças e jovens como meus 'irmãozinhos'. Aproximei-me e um grupo deles, rindo, me jogou uma chuva de pedras 'para ver quem tinha melhor pontaria'. Uma dessas pedras, me feriu o olho e desde então, não enxergo com ele.

"· 19 meses depois - Parece mentira. Quando estava mais bonito, tinham compaixão de mim. Já estou muito fraco; meu aspecto mudou. Perdi o meu olho e as pessoas me mostram a vassoura quando pretendo deitar-me numa pequena sombra.

"· 20 meses depois - Quase não posso mover-me! Hoje, ao tentar atravessar a rua por onde passam os carros, um me jogou! Eu estava no lugar seguro chamado 'calçada', mas nunca esquecerei o olhar de satisfação do condutor, que até se vangloriou por acertar-me. Quisera que tivesse matado! Mas só me deslocou as cadeiras! A dor é terrível! Minhas patas traseiras não me obedecem e com dificuldade arrastei-me até a relva, na beira do caminho. Faz dez dias que estou embaixo do sol, da chuva, do frio, sem comer. Já não posso mexer-me! A dor é insuportável! Sinto-me muito mal; fiquei num lugar úmido e parece que até o meu pelo esta caindo...

"· Algumas pessoas passam e nem me vêem; outras dizem: 'não chegue perto'. Já estou quase inconsciente; mas alguma força estranha me faz abrir os olhos. A doçura de sua voz me fez reagir.

'Pobre cãozinho, olha como te deixaram', dizia... junto com ela estava um senhor de avental branco.

"Começou a tocar-me e disse: 'Sinto muito senhora, mas este cão já não tem remédio. É melhor que pare de sofrer'. A gentil senhora, com as lágrimas rolando pelo rosto, concordou.

"Como pude, mexi o rabo e olhei-a, agradecendo-lhe que me ajudasse a descansar.

"Somente senti a picada da injeção e dormi para sempre, pensando em porque tive que nascer se ninguém me queria..."

Agora... Reflita.

Reflita e ajude a abrir a consciência dos ignorantes e, assim, poder acabar com os maus tratos aos animais, especialmente com o problema de cães de rua.

Se você não os pode ajudar, pelo menos não os maltrate...

E ame, incondicionalmente, aquele animal que está ao seu lado e nada lhe pede em troca do amor que lhe dedica...