- Coluna da Sal - Boa resposta






Bom... Depois que a "Santa Madre Igreja Católica" fez o "favor" de afirmar que a camisinha não protege contra a Aids, eu fiquei ruminando as alegações oficiais do Vaticano...

Diz a "Santa Sé" que o látex é poroso e que seus poros não impedem a passagem do vírus, durante a relação sexual. E que, por isso, a abstinência é o único caminho para evitar-se a contaminação.

Claro que isso é jogo de cena, porque é mais conveniente reimplantar o terror sexual, que esclarecer.

Afinal, dominar pelo medo sempre foi mais fácil que ensinar e dialogar. E, venhamos e convenhamos, quem criou a Inquisição, não prima pela vocação ao diálogo - certo?

Fiquei, então, esperando uma manifestação da comunidade médico-científica, para ver em que tudo isso ia dar.

E quando essa resposta apareceu, pensei se deveria ou não divulgá-la. E isso porque não vi essa resposta ganhar o mesmo destaque (na imprensa) que foi dado às explicações católicas.

E de tanto pensar, resolvi que o melhor é mostrar os dois lados da moeda - como manda a regra do bom jornalismo.

Por isso, aqui está a nota divulgada pelo Ministério da Saúde, sobre as afirmações oriundas do Vaticano:

"Ministério da Saúde - Secretaria de Vigilância em "Saúde

"Programa Nacional de DST/AIDS

"NOTA OFICIAL - 10/10/03

"Programa Brasileiro de Aids contesta declarações da Igreja sobre ineficácia do preservativo


"O Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde vem a público repudiar a atitude irresponsável do Vaticano e da ala conservadora da Igreja Católica, que mais uma vez, e sem nenhum respaldo científico, lançam dúvidas sobre a eficácia do preservativo como barreira à transmissão do HIV.

"Na mesma semana em que a Unaids - órgão da ONU para as políticas de controle da aids no mundo - divulga dados alarmantes sobre o crescimento da epidemia entre os jovens, informando que a cada 14 segundos um adolescente contrai o HIV, a Igreja presta um 'desserviço' ao mundo afirmando que os poros do preservativo são maiores do que o vírus da aids.

"Essa argumentação da Igreja, em defesa da abstinência sexual como forma mais eficaz de se evitar a aids, foi derrubada pela primeira vez em 1992, pelo National Institute of Health dos Estados Unidos. O instituto fez testes específicos para examinar a porosidade do látex usado para a fabricação do preservativo, que foi ampliado duas mil vezes e observado com um microscópio eletrônico. Nenhum poro foi encontrado.

"Outro estudo examinou as 40 marcas de preservativos comercializadas em todo o mundo, ampliando-as 30 mil vezes, mesma ampliação que possibilita a visão do HIV. E nenhum poro foi encontrado. Portanto, o risco de o HIV passar por poros do preservativo é praticamente zero. Não existe barreira mais segura.

"Estudo mais recente feito pela Universidade de Wiscosin (EUA) demonstra que o uso correto e sistemático do preservativo em todas as relações sexuais apresenta uma efetividade acima de 95% na prevenção à transmissão do vírus. O estudo concluiu que, mesmo usado de forma inconstante, o preservativo oferece 10 mil vezes mais proteção contra o virus da aids do que a não utilização do mesmo.

"O dado mais convincente sobre a efetividade do preservativo na prevenção da aids foi feito pela cientista Isabelle de Vincenzi, do Centro de Estudos Europeu de Transmissão Heterossexual, em sete países europeus. O estudo foi realizado com 124 casais onde um dos parceiros estava infectado pelo HIV e o outro não. Em 15 mil relações sexuais, tanto vaginais quanto anais, não houve nenhum caso de transmissão do HIV do homem para a mulher.

"A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o uso do preservativo como 'a única prática efetiva na defesa contra a aids sexualmente transmitida'. Esse posicionamento foi ratificado em um documento oficial publicado na Internet em junho de 2000, onde a OMS reafirmou que o preservativo masculino é o único método que, comprovadamente, reduz o risco de todas as infecções sexualmente transmissíveis , inclusive o HIV.

"Deixar de usar o preservativo porque ele supostamente não oferece uma segurança total seria o mesmo que defender a extinção de vacinas, porque elas também não imunizam 100% contra determinadas doenças. No entanto, sem elas a humanidade inteira já teria sido extinta. E é o que vai acontecer com a África, por exemplo, se políticas de prevenção e de tratamento não forem postas em prática imediatamente, para conter a transmissão do vírus da aids, que já atinge, em alguns países, mais de 50% da população.

"O papel da Igreja é agir no campo moral e religioso, mas não no científico. Ela não pode por em risco os avanços obtidos na luta contra a aids, que não é uma tragédia ainda maior pelo estímulo ao uso consistente do preservativo nos países que executam políticas de saúde pública voltadas para a prevenção, e não somente para o tratamento. É o caso do Brasil, que vem conseguindo grandes sucessos no controle da epidemia e cujo modelo adotado é exemplo para o mundo.

"Temos que lembrar que a vacina contra a aids ainda está longe de ser descoberta. Não dá para propor abstinência sexual ao mundo enquanto isso não acontece. É preciso encarar sem nenhum preconceito ou juízo de valor a realidade do comportamento sexual das pessoas. Do contrário, qualquer instituição que fale contra o uso do preservativo como forma eficaz de prevenção deve assumir a responsabilidade de estar pondo em risco a sobrevivência da humanidade.

"Alexandre Grangeiro

"Diretor do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde"

Ufa!...

Quero ver, agora, se a "Santa Madre Igreja Católica" é capaz de contestar tais dados...