- Coluna da Sal - Legado






Segunda-feira...

Ops!

Eu não vou reclamar!!

Acredite se quiser, mas hoje eu estou de muito bom humor... Aliás, estou vendo tudo azul desde a madrugada.

Explico: nada como um legado respeitável, para colocar um sorriso na cara da gente.

Explico, de novo: existe uma razão fortíssima para o meu humor...

A razão é simples. Vi o especial de Maria Rita...

Podem os puristas afirmarem que ela ainda é cópia da mãe.

E eu vou contradizê-los, afirmando que, ao longo do show, deixa-se de ver a sombra de Elis, para perceber-se os traços pessoais de Maria Rita.

Mas é inegável que a carga genética fez o serviço e faz questão de assumir sua autoria.

Traços, trejeitos e voz denunciam a origem nobre da nova musa da MPB.

O sorriso é o mesmo - só mudam os dentes (os de Elis eram pequenos e os de Maria Rita são praticamente perfeitos, grandes alinhados).

A emoção é igual e só faltou Maria Rita mostrar que também é capaz de cantar aos prantos, como Elis fez em "Atrás da Porta", por exemplo.

O resultado geral, no entanto, é uma goleada.

Maria Rita larga na frente de muita gente que está na estrada há tempos, ganhando dinheiro fácil com um mínimo (para ser boazinha...) de talento.

A moça esbanja talento e mostra que honra sua estirpe.

Mostra ritmo, emoção, afinação e segurança em cena - apesar de afirmar que é tímida.

Bem que a gente já vem falando dela há um tempo...

E ainda bem que Milton Nascimento continua de olhos bem abertos para as pedras preciosas que surgem por aí e nem sempre são vistas pelos ditos "caçadores de talentos" das gravadoras.

Afinal, há tanta coisa descartável (pra ser boazinha mais uma vez...) enxovalhando o mercado fonográfico brasileiro, que uma jóia rara como Maria Rita reflete a nossa esperança de ter de volta bons tempos, como aqueles das décadas de 60 e 70, quando a gente nem sabia para que lado olhar, porque em cada canto havia um gênio musical de plantão.

A mãe dela era um deles.

E ela, Maria Rita, mostra que - ainda que não seja um gênio pronto e acabado como sua mãe o foi - pode seguir as pegadas "elisianas" com tranqüilidade e sem medos.

Afinal, geneticamente está garantida.

E mais que isso: musicalmente, tem vida própria e não fica devendo coisa alguma à quem quiser sonhar que pode cobrar dela o talento eruptivo da mãe.

Como diz uma gaúcha: Maria Rita é a bomba de efeito retardado que Elis legou á MPB.

E sabe por que?

Por que é como se Elis dissesse: "estou indo embora. Cansei! Mas esperem mais uns 20 anos e vocês vão ver do que eu ainda sou capaz".

E estamos vendo!

Elis foi capaz, depois de tudo o que fez por nossa música, de nos legar Maria Rita...

E viva Elis!