Trinta anos atrás, quando discursou na ONU pela primeira vez, Yasser Arafat garantiu ao mundo que falava com a pomba da paz nas mãos e o revólver na cintura.

Assim viveu Arafat...

Aos trombolhões, batendo de frente com seus aliados, digladiando com Israel, mas dizendo-se um negociador.

É verdade que, em muitas e muitas ocasiões, negociou - e bem - o futuro da Palestina. Semeava, a seu modo, a paz entre judeus e palestinos e tentava concretizar o sonho do Estado Palestino. À sua maneira, o entendimento.

E nós sabemos que o entendimento é moeda rara e que a intransigência galopa solta por aí, montada em bombas, fanatismo religioso, armas e atentados.

Arafat foi terrorista. Foi guerrilheiro. Foi presidente.

Sua idéia de paz era sui-generis e seu conceito de negociação era, no mínimo, curioso.

Arafat foi único - talvez esta seja a única unanimidade em torno de seu nome.

Mas há um ponto em que, mesmo a contra-gosto, muita gente terá de concordar: sua ausência pode mudar o mundo...