UFa!...

Vamos lá! Respire fundo, tente relaxar e faça uma prece ao seu deus - de todo o coração, com toda a fé...

Afinal, hoje é o dia do futuro do mundo.

Nas terras de Tio Sam, quem quiser vai às urnas e determina o que será do nosso combalido planetinha de todos os deuses.

Kerry e Walker digladiam-se de tal forma que nem as mais "precisas" pesquisas conseguem dizer quem será o vitorioso.

Enquanto isso, o mundo espera, de coração na mão, para saber o que o futuro lhe reserva.

Se for Kerry o vencedor, certamente surgem sinais de esperança, já que o camarada é mais propenso a ouvir considerações alheias e a tomar decisões com mais calma, de maneira supostamente mais racional e comedida.

Se for Walker, o mundo mudaria de planeta - se isso fosse possível...

Destrambelhado, impulsivo, teimoso feito mula empacada e de discernimento ausente, Walker é mais letal que a bomba atômica, mais destrutivo que Átila e mais corruptor que Capone.

É um coquetel de intranqüilidade como nunca se viu, ao qual foi adicionada dose cavalar de belicosidade e outro tanto mastodôntico de capacidade de se deixar manipular e mover pelos interesses dos amigos mais chegados.

É um clima de guerra santa, onde o terror é o ponto decisivo.

Bin Laden surge como o coringa capaz de decidir a partida - mesmo que queira decidí-la contra Walker (o que não quer dizer que seja a favor de Kerry).

Sobre mesa, fichas pesadas, como Iraque, Afeganistão, petróleo, política intervencionista, política preconceituosa, desemprego em massa, economia descontrolada, jogadas sujas e governo baseado em mentiras.

Misturadas às elas, fichas com nomes conhecidos e desejados como hegemonia no planeta, capacidade bélica inigualável, orçamento astronômico, influência internacional incomparável.

À volta da mesa onde se joga o pôquer do destino do mundo, todos estão de olhos estatelados e grudados nas mãos dos oponentes.

Todos querem saber quais as cartas de cada um, embora esta seja uma partida de pôquer aberto, onde cada adversário sabe exatamente o que o outro tem...

Falta apenas uma carta...

O voto.

E foi por esta carta que os dois - Walker e Kerry - se mataram verbalmente, que suas equipes armaram estratégias mirabolantes e botaram o mundo de prontidão, em aflição extrema, em verdadeira agonia...

A fé reacionária de Bush pode conduzir o planeta à destruição.

Dizem que a morosidade de Kerry em decidir um passo pode levar o planeta ao desgoverno e, por conseqüência, à destruição.

O que fazemos nós, então?


Rezamos...

Que o mal que venha das urnas de Tio Sam seja o menor!

Se não, nem poderemos chorar nossos mortos num dia de Finados, como hoje. E isso porque certamente os mortos seremos nós...