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"No dia seguinte à revelação do assassinato do garoto de Joseph, de seis anos, do qual um grupo neonazista é o principal suspeito, surgiram vozes em toda a Alemanha pedindo justiça. Enquanto isso, no local do crime, o povoado de Sebnitz, na Saxônia, vivem-se momentos de vergonha após a cumplicidade silenciosa de seus habitantes.

"O jornal Bild denunciou a história de Joseph, filho de pai iraquiano e mãe alemã, que, perante a indiferença de 300 banhistas, foi espancado, torturado e afogado por um grupo de neonazistas em uma piscina pública. Na época, o caso foi encerrado como um acidente normal e, graças apenas à tenacidade da mãe da criança, a promotoria reabriu agora o caso.

"A história da morte do menino ocupou a capa de todos os principais jornais do país e o Bild reproduziu, também na primeira página, uma fotografia do garoto morto, junto com a mãe.

"A promotoria ordenou a prisão de três jovens, entre os quais uma garota, como supostos assassinos. Segundo a polícia, dois deles - um casal - não pertencem a ambientes neonazistas. O provável motivo do crime foi a xenofobia. As autoridades regionais e federais reagiram com espanto, exigindo da justiça que os fatos sejam esclarecidos da forma mais rápida possível.

"A mãe do menino, Renate Kantelberg-Abdullah, disse ter recebido ameaças de morte por parte de neonazistas, que passaram por sua janela fazendo uma saudação nazista e a ameaçando: ‘Acabaremos contigo enfiando uma faca no seu estômago’.

"Segundo a edição do Bild, os neonazistas ameaçaram a irmã de Joseph, então com 12 anos. Ela também estava na piscina no dia do crime, mas foi rodeada por membros do bando para evitar que ela conseguisse chegar perto do irmão.

"Um dos interrogados disse ter ouvido que neonazistas disseram à menina que a afogariam em um rio para simular seu suicídio motivado pelo dor da morte do irmão.

"O porta-voz governamental Uwe-Karsten Heye prometeu que será feito o possível para o esclarecimento dos fatos. ‘Se for comprovada negligência por parte das autoridades competentes, serão tomadas as medidas necessárias’, acrescentou o ministro da Justiça, Herta Daeubler-Gmelin.

"O primeiro-ministro da Saxônia, Kurt Biedenkopf, pediu à justiça de Land que esclareça o quanto antes o caso e disse que, se for comprovada a veracidade de tudo o que ocorreu naquele 13 de junho de 1997 em Sebnitz, aconteceu algo monstruoso. ‘Ninguém que saiba de algo pode calar-se’, disse.

"Em Sebnitz, cheia de repórteres, o povo mostra-se incrédulo e em choque: após aqueles dias de vergonha, agora querem lançar um sinal de coragem civil organizando uma celebração para o menino em 3 de dezembro."

Ficam duas perguntas no ar: essa celebração - ainda que seja uma mostra de coragem civil - vai apagar a covardia que imperou até agora?

E será que esse insano ódio racial um dia vai acabar???