Neste nosso paisinho de meus deuses, é preciso uma paciência de Jó para entender certas coisas... O caso do Banespa, por exemplo. Esse leiloa, não-leiloa sem fim, está mais para eleição americana que para saneamento de um grande banco. Aliás, tem gente que, até hoje, não consegue entender o que está acontecendo.

Mas quem é paulista sabe... Viu de perto, muito perto, o que fizeram com o banco... Você também quer entender? Então leia a matéria feita por Jô Pasquatto e divulgada pela Agência Estado. Você vai descobrir que a crise do Banespa tem nome...

"Após um longo processo de saneamento - cinco anos que incluíram intervenção administrativa, disputa entre governos estadual paulista e federal, a federalização do banco e uma série de liminares impedindo o processo de privatização - o Banespa finalmente deve ir a leilão nesta segunda-feira, por um preço mínimo de R$ 1,85 bilhão.

"A história recente do banco, atingido em duas gestões estaduais consecutivas - Orestes Quércia (87/90) e Luiz Antonio Fleury (91/94) - é cheia de meandros. No dia 30 de dezembro de 94, às vésperas da posse de Mário Covas, o Banco Central decretou intervenção administrativa. As sucessivas crises de liquidez, quando no final do dia o BC socorria o rombo, estavam terminadas. Começou, então, um período de confronto entre Covas e o governo federal. Ao mesmo tempo, se iniciava uma briga na Justiça, para tentar provar a responsabilidade de Quércia, Fleury, dois diretores do Banespa (Carlos Augusto Meiberg e Saulo Rodrigues), além de outros dirigentes, denunciados por gestão temerária e fraudulenta.

"Dados levantados na época dessa discussão, acusaram um rombo que causou ao Banespa um déficit de cerca de US$ 15 bilhões. Por meio das Antecipações de Receitas Orçamentárias, as AROs, o Banespa adiantava o dinheiro de impostos ao Tesouro paulista, para pagar as dívidas do orçamento com empreiteiras. No total, as AROs custaram US$ 600 milhões. Além disso, o banco financiava empréstimos à empresas sem condição de honrar dívidas.

"Em março de 96, ao depor na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), Covas pediu uma definição para o caso e voltou a culpar Quércia e Fleury pela situação. A origem da dívida de R$ 16,5 bilhões (já acrescida de R$ 1,5 bi por conta dos juros), apontou Covas, estaria nos empréstimos feitos pelos seus antecessores, além do acordo feito por Fleury com o BC, para a rolagem da dívida estadual.

"Na Justiça, paralelamente, começou uma batalha: no final de março de 96, o Ministério Público Estadual pediu o bloqueio dos bens de Quércia e de Fleury e de 105 ex-administradores do banco. O embargo do patrimônio dos acusados visava garantir o ressarcimento de prejuízos sofridos pelo banco. As perdas, em valores atualizados a dezembro de 94, somam R$ 2,8 bilhões e são relativas a concessões de empréstimos especiais a pessoas físicas e jurídicas.

"Em maio de 97, relatório do BC de 12 mil páginas mostrava que Quércia e Fleury usaram o Banespa politicamente, o que teria sido uma das principais causas da quebra do banco. O inquérito do BC apontou que as AROs realizadas no final do governo Quércia representaram parte substancial das dívidas do Estado com o Banespa. Em dezembro de 94, segundo os documentos do BC, a dívida das AROs chegava a US$ 3,327 bilhões, o equivalente a 30% do volume total, de US$ 11,127 bilhões.

"O relatório do BC dizia ainda que ao longo das gestões de Quércia e de Fleury, o Banespa foi transformado num banco para os negócios do Estado, obrigado a suportar a necessidade de financiamento do governo e de suas empresas. Em maio de 92, segundo o documento, governo paulista e Banespa fecharam um acordo referente às dívidas do Estado e suas estatais com o Banespa.

"Ainda no final de janeiro de 98, o ex-governador Fleury, declarou ter conseguido no Superior Tribunal de Justiça (STJ) o desbloqueio de seus bens. A sentença, no entanto, foi interpretada de modo diferente pela Procuradoria Geral do Estado. Nesta segunda avaliação, o que foi decidido pelo STJ era a suspenção do patrimônio pessoal de Fleury ao Banespa. Mas o bloqueio estaria mantido. Segundo o Ministério Público, Fleury e Quércia seriam os principais responsáveis pelo rombo do Banespa, daí a medida de retenção patrimonial de ambos. Em fevereiro, a 12ª Vara da Fazenda Pública condenou nove ex-presidentes do Banespa ao ressarcimento de R$ 128,9 milhões, em favor do banco, pela contratação de 1.390 funcionários. Mas a sentença era passível de recurso.

"No início de janeiro de 99 a Justiça de São Paulo, por meio de decisão da 7ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça (TJ) acolheu apelação do Ministério Público Estadual, reestabelecendo o bloqueio dos bens dos ex-governadores Quércia e Fleury. Também estão incluídos na sentença outros 108 réus na ação que apura o rombo de R$ 2,8 bilhões no Banespa. Novo pedido foi feito pela Procuradoria Geral do Estado, em agosto.

"Mas, em setembro, Quércia e Fleury conseguiram vitória parcial em julgamento sobre o bloqueio patrimonial. Essa decisão foi revertida em outubro, com a ratificação da manutenção da sentença que determinava o bloqueio dos bens. Ainda em setembro, ocorreu a primeira decisão judicial envolvendo acusados pelo rombo no Banespa. Dois ex-funcionários foram condenados a quatro anos de prisão, sentença revertida à prestação de serviço comunitário por dois anos.

"No final de 99, após cinco anos de idas e vindas, de sucessivas batalhas jurídicas, técnicos do governo federal já falavam em nova data para o leilão do Banespa: abril de 2000. Em março de 2000, depois de quatro anos de tramitação e uma série de liminares e recursos, é arquivada a ação que cobra ressarcimento pela má gestão do Banespa aos ex-governadores Quércia e Fleury e aos 107 ex-administradores. Movida pelo Ministério Público, a ação ordinária de responsabilidade acabou sendo arquivada porque o juiz da 8ª Vara Cível da Capital, Carlos Elmano de Oliveira Neto, entendeu que como o BC levantou a intervenção no Banespa, teria acabado a legitimidade ativa do MP no caso. Em abril, entretanto, o promotor Alberto Moreira pediu a anulação da sentença de Elmano, em apelação ao Tribunal de Justiça.

"No início de outubro de 2000, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o edital de venda do Banespa. A nova data do leilão foi marcada para 20 de novembro."

Tudo bem que o texto da notícia não está na íntegra... Existem muitos dados...

Mas, por aqui, acho que você já fica sabendo o nome e o endereço da dívida do Banespa... Aja!!!!