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Há quem diga que o Mal é necessário, para que se enxergue e valorize o Bem.
Há quem diga que o Mal é o que sai da boca (e da cabeça) do Homem.
O certo é que o Mal é cultivado pelo Homem, talvez (e principalmente) por causa do Poder. A capacidade de impor sua vontade ao resto de seu clã - sua família, sua cidade, seu Estado, seu País.
Quando esse jogo chega ao extremo, quando a guerra ideológica extrapola, o que se tem é o medo infundado e as reações desmedidas.
O resultado, então, é catastrófico: golpes, lutas, mortes.
Há 40 anos, vivemos isso mais uma vez. Não foi a última - certamente...
Mas foi uma das mais sangrentas.
O golpe militar de 40 anos atrás (e que até hoje os militares chamam de revolução) estava inserido num renhido contexto histórico (a famosa "Guerra Fria"), vinha articulado por forças externas e tinha o sabor da ingerência.
Essa mistura fatídica nos rendeu 21 anos de ditadura e sofrimentos extremos.
Leis de exceção, gente sumindo, gente torturada, gente morta.
Resistência armada ineficaz, muita gente iludida, muito medo.
Acima de tudo medo.
Decisões infelizes, um milagre econômico fabricado às custas do endividamento externo, e o desvirtuamento do papel da polícia.
Delegado virava chefe de gang, investigador virava torturador, cuidar da segurança virava executar os "inimigos do regime", os "inimigos da ordem pública".
Censura virava sinônimo de cuidado e a vida virava um inferno.
40 anos se passaram, veio a anistia e o ainda hoje não consiguimos saber tudo o que aconteceu em nossa própria história.
Nem ao menos conseguimos resgatar todos os nossos mortos!...
Não exorcisamos todos os nossos fantasmas...
O sofrimento continua e a incerteza, também.
Que o pesadelo de 40 anos um dia acabe!!!
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