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Você se lembra daquelas oito pessoas que foram atacadas e estupradas, quando estavam numa fila, à porta de uma escola pública, no Rio de Janeiro, esperando para efetivarem a matrícula dos filhos e netos? Pois é... Eram mulheres....
Você se lembra - se é que você tem idade para isso - de Marli, a irmã de um homem assassinado pela PM, e que passou anos e anos (em pleno regime militar) percorrendo quartéis, em busca dos assassinos, quando ninguém mais tinha coragem de gritar contra as arbitrariedades dos grupos de extermínio?? Pois é... Era uma mulher...
Você se lembra de Dalila Francisco da Silva, que, aos 18 anos, foi presa por ter entrado em um supermercado e roubado um saquinho de leite, para amamentar o filho, em 1984?? Pois é... Era uma mulher...
Você se lembra da juíza Denise (e que ela me perdoe, porque não consigo me recordar de seu nome, agora!), que teve coragem para condenar os grandes bicheiros cariocas e mandá-los para atrás das grades?? Pois é... Era uma mulher...
Você se lembra de quantas vezes mudou o traçado de seu caminho, para desviar daquela figura vestida de farrapos, sentada no chão, em plena calçada, com a mão estendida e uma criança no colo, pedindo migalhas do seu dia-a-dia?? Pois é... Era uma mulher...
Você se lembra daquela figura que percorria sua casa, ajeitando uma coisa aqui, limpando outra coisa ali, botando ordem em tudo e deixando tudo um "brinco", para garantir o seu bem-estar, e nem sempre ganhando o que merecia ou, muitas vezes, ganhando mais do que você podia pagar?? Pois é... Era uma mulher...
Você, com certeza, se lembra de gente como Madre Teresa de Calcutá, como Irmã Dulce, tidas como exemplos da bondade e da abnegação, dos cuidados com o próximo... Eram mulheres!
Você, com certeza (também), se lembra de nomes glamourosos, como Marilyn Monroe e Diana, a princesa, cujas vidas fascinaram o mundo e a morte trágica as fizeram entrar para a História em meio a verdadeiras comoções... Pois é... Eram mulheres!
E você, com mais certeza ainda, se lembra das mulatas maravilhosas, quase que hipnotizantes, que fizeram o espetáculo na avenida de todas as cidades brasileiras, em pleno carnaval... Pois é... São mulheres!
Mulheres, como tantas outras - anônimas, divertidas, sofridas, batalhadoras, trabalhadoras, mães, prostitutas, tias, primas, irmãs, amigas, parentes distantes, desconhecidas, altas, magras, gordas, baixas, do tipo mignon, louras, morenas, ruivas, mulatas, amarelas, vermelhas, brancas, talentosas, canastronas, ágeis, velozes, fortes, inteligentes, meio esquecidas, meio que de preguiça, malemolentes, "elétricas", executivas, donas-de-casa, estudantes, médicas, faxineiras, garis (ou margaridas, como queiram!), lésbicas, ninfomaníacas, zen, neuróticas, lavadeiras, socielites, vivendo no luxo, vivendo do lixo, sensuais, geladas, meio despudoradas, quase santas...
Mas todas elas, sem exceção, mulheres... Antes e acima de tudo, mulheres!...
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