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A Inglaterra libertou Pinochet na época exata: Carnaval!
Quem viu o ex-ditador chegar ao Chile, deve ter sentido na boca um gosto amargo de decepção e um quê de revolta, depois da decisão do governo britânico. Libertar o sanguinário chileno foi um "gesto humanitário". Afinal, pelos tais exames médicos - contestados, diga-se de passagem, por vários países -, Pinochet estaria às portas da morte.
O que se viu na sua chegada ao Chile, no entanto, mostrou o contrário...
Sorridente e lúcido, Pinochet saiu da cadeira de rodas para abraçar seus "amiguinhos" militares... Que farsa! Que máscara, a doença! Que enredo, a sua debilidade!...
E até mesmo a reação de Isabel Allende, a filha de Salvador Allende (o presidente deposto e assassinado por Pinochet e seus asseclas, em 1973), ameniza o gosto da revolta.
Deu na Agência Estado: "A deputada socialista Isabel Allende, disse que Pinochet ‘saiu do Chile com uma pessoa rodeada de um certo prestígio e regressa como uma pessoa que, se não fosse por razões de compaixão, estaria a caminho da Espanha’, disse, numa referência ao processo de extradição movido pelo juiz espanhol Baltazar Garzón. ‘Ele chegará ao Chile como um cadáver político’."
Cadáver político?? Só se for um cadáver político cercado de cadáveres torturados por todos os lados... Uma ilha desumana, cercada de crimes hediondos por todos os lados...
A notícia continuava assim: "A deputada não crê que o ex-ditador poderá retomar suas atividades como senador vitalício. ‘O Senado não pode ter como seu membro uma pessoa que vive nas atuais condições de saúde. Para mim, ele vem humilhado e universalmente condenado’, frisou."
Sei, não, dona Isabel... Depois de toda a festa que foi preparada pelo governo chileno e pelo exército que ele comandou?? Com direito a banda de música e tudo o mais?? Uma festa que só não aconteceu, para recebê-lo como herói nacional, porque a imprensa mundial estava lá e pegaria mal se o mundo visse o Chile comemorando a ditadura sanguinária?? Acho que tudo é possível, dona Isabel, numa republiqueta latina...
"Isabel Allende disse que não foi ficou surpresa nem decepcionada com a decisão do ministro do Interior britânico, Jack Straw, de libertar Pinochet. Para ela, o caso demostra que os ditadores não poderão, de agora em diante, desfrutar da impunidade. Ela agradeceu a ‘todas as pessoas que trabalharam duramente’ no caso, principalmente o juiz espanhol e os grupos que representam as vítimas da ditadura."
Assim espero, dona Isabel... Assim espero... Que o mundo não seja mais tão cego. Que os países não reneguem a própria história. Que o planeta ganhe uma corte internacional que não espere por denúncias de crimes contra a humanidade, mas que busque fazer justiça sempre... Independente de quem seja o ditador, de que país barbarizou que povo...
E, só para lembrar: "mais de 60 denúncias criminais esperam Pinochet no Chile, pela morte e desaparecimento de mais de 3 mil pessoas durante a ditadura comandada por ele. Para enfrentar a justiça chilena, Pinochet terá que perder sua imunidade parlamentar. Advogados de entidades de direitos humanos já informaram que vão pedir o mais rápido possível o fim da imunidade do ex-ditador."
É o que nos resta agora... Esperar...
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