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Fernando Pessoa, o poeta português símbolo do século XX, disse um dia: "navegar é preciso"... Só que o poeta nunca imaginou que sua frase pudesse ser usada para definir uma das maiores invenções do Homem - a Internet.
Agora, é a vez de a Internet render-se à Poesia Portuguesa de todos os tempos... Veja só que boa notícia a Agência Estado colocou no ar dia desses:
"Um dos maiores clássicos da literatura portuguesa já pode ser lido na íntegra na Internet. O site de busca português http://www.gertrudes.com colocou "Os Lusíadas", de Luiz Vaz de Camões, na versão integral, com prefácio de Teophilo Braga datado de 1881. O trabalho vinha sendo desenvolvido desde 1996.
"O diretor do site, Antonio Miguel Migueis, destacou a "enorme satisfação e orgulho em disponibilizar a grande obra de Luiz de Camões". Segundo ele, o próximo objetivo é realizar a tradução do livro para o inglês. O projeto terá a colaboração de professores das universidades de Sheffield e de Oxford, na Inglaterra."
Não é uma maravilha????
"Os Lusíadas" são um épico reconhecido e aclamado em todo o mundo.
Na adolescência (e eu, hoje, estou na envelhescência...), quando descobri o poema do bardo português, quis, de todas as formas, ler a tal maravilha. Estava cansada da história de ler apenas pequenos trechos. Um livro de literatura e pronto! Lá vinha o início da epopéia lusitana: "Por mares nunca dantes navegados"...
E eu querendo saber o que os varões coroados de brasões encontraram por tais mares... Queria "sentir" a chamada Era dos Descobrimentos, quando portugueses e espanhóis lutavam pela supremacia nos mares e, conseqüentemente, no mundo, medindo sua própria importância através das descobertas de novas terras e riquezas.
Até que descobri, na biblioteca de minha escola, um exemplar raro e que já nem sei que fim levou. Um livro que tinha sido doado por um imigrante português e que a família não teria como continuar a conservá-lo. Todo gasto, com capa recoberta por um tecido já até puído, encontrei os tais Lusíadas.
Só que em Português arcaico!!! Aquela coisa de que passado e futuro se confundem, com a mesma terminação (ão) e a gente é que tem de entender em que tempo está, pelo sentido da frase...
Toda metida, quis continuar a ler, apesar da dificuldade. Sabe como é adolescente, não sabe???? Quanto pior, melhor. Quanto mais proibido, mais gostoso descobrir... Pois é!... Lá fui eu... Estava agora embarcando na nau lusitana da história, conduzida pelos versos do poeta caolho.
Até que minha professora de Português descobriu e acabou com a minha festa! "Se já tenho um trabalho enorme em fazê-los entender e aprender o Português de hoje, você não vai estragar tudo, lendo em Português arcaico", ralhou... E tirou o livro da biblioteca, sob a alegação de que a obra, na versão encontrada, era preciosa demais para ser manipulada por estudantes inexperientes... O que ninguém conseguiu contestar, é óbvio!!!
O que ela não sabia é que eu já tinha praticamente terminado o poema. Há meses que eu aproveitava as folgas para ir folhear a preciosidade... Bem quieta, escondidinha...
Foi assim, com Camões e seus Lusíadas, que descobri a fantástica literatura portuguesa. Depois dele vieram outros tantos gênios, como Antero de Quental, Fernando Pessoa (meu poeta preferido), José Saramago...
E se você nunca saiu dos primeiros versos dos Lusíadas, nem mesmo na época do vestibular, pode tirar o atraso e comprovar que nunca é tarde para se conhecer uma obra-prima de perto. Eu garanto!
Mergulhar n’Os Lusíadas é uma viagem e tanto. Tão saborosa, instrutiva e pitoresca como mergulhar em "D. Quixote", de Cervantes. Experimente! "Os Lusíadas" pode ser lido no endereço http://lusiadas.gertrudes.com
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