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Pois é...
Enquanto eu comentava sobre a alegria de ver o Guga voltar a vencer, meus dois neurônios neuróticos estavam a me lembrar de que as coisas, fora das quadras de Roland Garros, andam perversas - muito perversas.
E foram me avisar de que eu havia deixado, numa dessas pastinhas que a gente cria no micro e depois acaba esquecendo de ver o que elas guardam, a cópia de uma notícia do dia 19 deste mês. E uma notícia nada alentadora.
Fui olhar a tal pastinha e me dei conta: será que estamos realmente vivendo o final dos tempos ou será que os tempos é que ganharam outros fins?
Veja só:
"45 funcionários públicos envolvidos em tráfico de pessoas
"Brasília - Pelo menos 45 funcionários públicos, entre policiais federais, civis e agentes alfandegários, estão envolvidos com falsificação de documentos para facilitar o tráfico de pessoas para o exterior. A revelação foi feita hoje, durante o Seminário sobre Tráfico Internacional de Seres Humanos no Brasil, onde foi apresentado uma pesquisa inédita sobre o perfil das vítimas. A maioria, pobre, com idade entre 18 e 21 anos, e que é aliciada principalmente pelos próprios brasileiros.
"A pesquisa foi feita pelo advogado e professor Marcos Colares, que vistoriou 36 processos e inquéritos em tramitação na Justiça e Polícia Federal. 'Infelizmente verificamos que existem poucos trabalhos em relação ao tráfico de seres humanos', afirmou a secretária nacional de Justiça, Cláudia Chagas. 'Os inquéritos e processos são poucos'.
"Para ela, é necessário modificar a legislação para ampliar a abrangência do crime. 'Em vez de tráfico de mulheres, vamos propor a mudança para tráfico de seres humanos, e não apenas para o exterior, mas em rotas também interestaduais'. Foi em um dos processos analisados na Justiça Federal do Rio de Janeiro que Colares percebeu o envolvimento de agentes públicos nos casos. Segundo ele, a ação não é diretamente ligada ao envio de pessoas ilegalmente para o exterior, mas facilitando a ação dos agenciadores.
"Na pesquisa, apenas 2% dos casos a pessoa assegurava que era profissional do sexo, enquanto que 14% não informaram que tipo de trabalho faziam. Cerca de 13% eram cobradoras, comerciárias, cabeleireiras, digitadoras, manicures, vendedoras, profissionais liberais e corretoras de imóveis. A maioria das vítimas é levada para países de língua latina, principalmente para a Espanha, mas muitas foram para Itália, Israel, Suiça, França, Estados Unidos e Japão." (Agência Estado)
Pois é... Sinal dos tempos?
O sinal da degradação do Homem?
Em pleno domingão, fico pensando, pensando, pensando... Tentando imaginar até onde pode chegar a perversidade humana.
Não contente em destruir e humilhar o seu igual, o Homem humilha e dizima o que está ao seu redor.
Nada é suficiente para saciar sua sede de destruir o que é vida.
Nem mesmo a própria vida - se é que é possível usar essa analogia...
E fica pior ainda quando há um cargo público, que envolva um mínimo de poder, de ascendência sobre quem quer ou que quer que seja...
A prova taí... Só não vê quem não quer...
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