Ai, ai... Domingão chuvoso, friozinho gostoso - um daqueles dias bom para a gente ficar sob as cobertas, tomando um capuccino quentinho, fazendo preguiça...

Mas tem uma pulga corroendo meu sossego: o que será de nós, quando aqueles que deveriam tornar-se guardiães do Saber, metem-se em estripulias e tornam-se ladrões do Conhecimento?

Por que pergunto isso?

Oras... Veja está notícia:

"São Paulo - Um grupo de estudantes de biblioteconomia da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na Vila Buarque, está por trás de furtos de livros raros em bibliotecas de todo o País, incluindo o de 13 obras dos séculos 16 a 20 levadas do Museu Nacional, no Rio. Outros 11 tiveram páginas com ilustrações arrancadas.

"Hoje, o universitário Laéssio Rodrigues de Oliveira, de 31 anos, foi autuado em fragrante pela polícia por receptação de livros roubados. Seus colegas Reginaldo da Silva Alves, de 26, e Ricardo Pereira Machado, de 22, foram ouvidos pela polícia, como suspeitos, e posteriormente liberados.

"A descoberta do trio só foi possível porque um antiquário do Bexiga, no centro de São Paulo, que comprara um dos livros do Museu Nacional, procurou a Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo para devolver a obra. Ele havia pago R$ 1.500,00 por Historia Naturalis Brasilae, de autoria do holandês Willem Pison. Editada em 1648, a obra foi avaliada em R$ 75 mil pelos peritos, mas na Europa poderia valer até US$ 50 mil. O antiquário resolveu devolver a obra ao vê-la em uma reportagem de jornal sobre livros raros." (Agência Estado)

Entendeu?

Se esses caras, que deveriam tornar-se bibliotecários, profissionais habilitados a catalogar e preservar fontes de conhecimento, transformam-se em larápios, o que será de nós?

Quem adora uma biblioteca, como eu, sabe o que é o prazer de passear entre prateleiras, xeretando aqui e ali, até descobrir alguma jóia rara que chame ainda mais a atenção e desperte o bichinho da leitura voraz.

Apesar da internet e de todas as facilidades que ela traz, da amplitude da área de garimpagem, nada substitui o prazer de ter o papel entre as mãos e decifrar as letras nele impressas...

Acho que sou dos tempos de antigamente, mesmo... Ou então, estou ficando velha e ranzinza...

Afinal, este tipo de crime - contra a cultura, o conhecimento, o Saber -, para mim, deveria ser considerado crime hediondo. Um atentado contra a soberania nacional!!

E que me chamam de radical e intransigente!

Acho que sou tudo isso, mesmo!...

;-)