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Até onde vai a intransigência (melhor dizendo, a teimosia...) de Lula?
Veja o que aconteceu ontem (quinta-feira):
"Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava tranqüilo hoje de manhã no encontro, do qual participaram também o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e firme na sua decisão de suspender o visto do repórter do New York Times, Larry Rohter, de acordo com relato de participantes do encontro. 'Ele estava muito firme', disse um dos participantes da reunião. O presidente mostrou que estava muito indignado, principalmente por tocar em questões de sua família.
"Segundo um dos presentes ao encontro, Lula disse não se importar que critiquem o seu governo, mas não aceita que falem de sua família ou de sua honra. 'Não sou nenhum alcoólatra, todos sabem que bebo prazerosamente, bebo e fumo, mas ninguém pode dizer que tomei uma decisão de governo porque bebi ou não bebi', teria dito o presidente. 'Foi um desabafo grande', disse o interlocutor. Embora aceite rever sua decisão caso o jornal ou o repórter peçam retratação da reportagem publicada, Lula disse estar disposto a bancar sua decisão.
"'Vou arcar com as conseqüências', disse, argumentando que havia muito preconceito no tratamento dado pelo jornal. Na única vez que falou, Dirceu apoiou o presidente e com um exemplar do NYT nas mãos mostrava nota em que seus editores ratificavam as informações de Rohter. 'Olha aqui, eles estão ratificando a posição', teria dito Dirceu. Ontem, os ministros do Palácio do Planalto esperavam que houvesse uma iniciativa do jornal de fazer a retratação, mas isso não aconteceu.
"Os líderes da oposição - que não chegaram a comparecer ao encontro como se pretendia ontem - só admitiam a possibilidade de comparecer hoje ao Palácio do Planalto caso o presidente Lula acenasse ainda ontem com a possibilidade de um recuo. Ao serem informados de que não havia nenhuma combinação neste sentido com o presidente, eles preferiram não comparecer ao encontro. O presidente do Senado, José Sarney, chegou a receber a delegação para levar a Lula a solidariedade dos oposicionistas." (Agência Estado)
Fico me perguntando até onde vão levar um episódio que poderia ser irrisório, comum, corriqueiro...
Lula, com sua indignação em escala monumental, está atraindo para si um olhar mais perverso do que alguém poderia desejar, num delicado momento da economia mundial.
Usar um instrumento dos tempos da ditadura para mostrar essa sua indignação, agindo como se ditador mimado fosse, só serve para trazer mais riscos para o país.
Agindo com tamanha infantilidade (num caso em que a diplomacia poderia esgotar incontáveis vias e que o Direito Internacional poderia resolver, em última instância), Lula não expõe apenas a imagem da Presidência ou sua imagem pessoal.
A coisa extrapola para demolir um trabalho feito com seriedade e competência ao longo dos últimos anos, durante o governo FHC, e que o próprio Lula parecia estar levando a bom termo, em suas primeiras viagens internacionais.
Agora, com tamanho destempero, sua liderança vai ser, indubitavelmente, questionada e sua capacidade colocada em xeque.
Para nós, resta a esperança de que este "xeque", não seja um xeque mate...
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