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Ok!
Eu havia prometido à mim mesma que hoje, Dia das Mães, não falaria de política, não criticaria o governo de saintily Lulinha da Paz e do Amor, que não pensaria na política econômica, que não sonharia com o rombo no meu bolso, que não refletiria sobre a falta de empregos, que não ficaria indignada com propagandas enganosas...
Acordei e confabulei com meus botões: como não falar, pensar ou sonhar com tudo isso, quando até o The New York Times (talvez o mais importante jornal do planeta) faz isso???
Grande pergunta...
Mas meus dois neurônios neuróticos recusaram-se a mudar de assunto, principalmente porque ontem à noite eu vi esta notícia:
"São Paulo - O jornal The New York Times traz longo artigo sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a bebida. Segundo o artigo, o presidente brasileiro 'nunca escondeu sua predileção por uma copo de cerveja, uma dose de uísque ou, melhor ainda, um gole de cachaça, a forte bebida brasileira feita com cana de açúcar'. Atualmente, no entanto, prossegue o artigo, 'alguns brasileiros começam a questionar se a predileção de seu presidente por bebidas fortes está afetando sua performance no cargo'.
"O artigo, assinado por Larry Rohter, diz que nos últimos meses 'o governo de esquerda de Lula foi assolado por uma crise atrás da outra, desde escândalos de corrupção até o fracasso de importantes programas sociais'. 'O presidente', prossegue, 'se manteve longe dos holofotes e deixou o trabalho pesado a cargo de seus assessores. Isto iniciou especulações de que seu aparente pouco envolvimento e passividade possam estar relacionados com seu apetite por álcool'.
"Segundo o artigo, apesar de diversos líderes políticos e jornalistas 'comentarem cada vez mais entre si os consumo de álcool de Lula', poucos estão dispostos a assumir em público suas suspeitas. Uma exceção é Leonel Brizola, que, em declaração entre aspas citada pelo articulista, diz: 'Eu o alertei que bebidas destiladas são perigosas, mas ele não me escutou e, de acordo com o que está sendo dito, continua bebendo'.
"O artigo cita um texto de Diego Mainardi, publicado pela revista Veja, em que o autor diz que Lula tornou-se 'o maior porta-voz da propaganda para a indústria de bebidas' e aconselha o presidente a 'parar de beber em público'.
"Mais adiante, o articulista do jornal americano diz que os brasileiros têm motivos para se preocupar 'com qualquer sinal de bebedeiras por parte de seus presidentes', e acrescenta que a renúncia inesperada de Jânio Quadros, 'fã notório' de bebidas alcoólicas', 'iniciou um período de instabilidade política que levou ao golpe de 1964 e 20 anos de ditadura militar'.
"O artigo diz que as especulações sobre os hábitos de bebida do presidente foram alimentadas pelas 'inúmeras gafes cometidas em público' (e cita que ele chamou o presidente da General Motors de presidente da Mercedes-Benz; imitou o sotaque de sírio-libaneses, inclusive com erros de português, durante visita ao Oriente Médio; disse que a capital da Namíbia, Windhoek, nem parecia estar na África, de tão limpa que é).
"'Assessores de Lula e seus partidários sustentam que tais escorregões são ocasionais e devem ser esperados de um homem que gosta de falar de improviso, mas que não não estão relacionados com seu consumo de álcool, que descrevem como moderado', diz o artigo. 'De acordo com eles, Lula está sendo submetido a um padrão diferente e injusto do que seu antecessor pois ele é o primeiro presidente brasileiro da classe trabalhadora e tem primeiro grau incompleto'.
"Secretário proporá a Lula ação judicial - O secretário particular do presidente da República, Gilberto Carvalho, afirmou que vai propor a ele uma ação judicial contra o texto publicada no jornal The New York Times. 'Isso não é jornalismo, é calúnia', afirmou ele, muito irritado.
"Carvalho disse que nem ele nem o presidente Lula tinham, até a tarde deste sábado, lido o texto do jornal americano. Mas, ao ser informado do teor da matéria pela reportagem do Estado, Carvalho classificou-a como 'um enorme absurdo'. 'Uma matéria como essa é preconceito puro. O governo brasileiro precisa tomar uma medida dura contra uma notícia como essa', disse Carvalho, muito irritado. 'Precisamos convidar esse repórter para passar um dia com o presidente para ver o quanto ele trabalha', disse." (Agência Estado)
Pronto!
Lá se foi o meu sossego...
Afinal, a gente sabe o que causou à imagem do país a matéria publicada por um tablóide inglês, identificando o apelido de "Fernandinho do pó", como era conhecido, nos meios "civis", o então presidente Fernando Collor de Mello. Deu processo, o jornal se retratou, mas a gente sabe no que deu...
Agora, vem mais essa. E no New York Times!!!
Aí, o buraco é bem mais embaixo. Afinal, os tablóides ingleses têm fama de sensacionalistas.
O THYT, não. É tido como jornal sério, é influente.
Aliás, estava lembrando... Por estas bandas daqui, o comentário é de que saintily Lulinha da Paz e do Amor realmente anda abusando.
Dizem... Estou vendendo o peixe exatamente como me chegou...
Não posso provar, então não acuso. Apenas comento...
E reflito... E me preocupo...
O que será daqui pra frente, depois desse artigo?
Pois é...
E eu havia me prometido não falar em política em pleno Dia das Mães...
Que porre!!
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