Pronto! Já acordei de mau humor!

Imagine o quadro: 1h30 da madrugada, seu estômago resolve incomodar (e muito!) e você tenta, então, distrair-se com a programação da TV. Jô Soares, nesses casos, é imbatível! De repente, não mais que de repente (emprestando o verso do Poetinha), entra a chamada do plantão. Sabe para quê? Para informar que o Congresso acaba de aprovar o salário mínimo de R$ 151,00.

Imaginou????

Foi o que aconteceu comigo...

Agora, então, responda sem pestanejar: dá para acordar de bom humor num país como o nosso?????

Eles fizeram de novo!!!

Durante o dia, aprovaram o tal novo Código Florestal. De madrugada, aprovam uma proposta indecente para o salário mínimo...

"Eles", os nossos mui dignos representantes no Congresso Nacional, têm lá suas razões para brincarem de ficar pulando de barco em barco. Alguns, como mostram as muitas CPIs da vida, pulam de lá para cá, daqui para lá, para garantir o salva-vidas para a conta bancária.

Outros, porque não sabem mesmo como votar, ficam na dúvida. Então, o melhor é seguir a maioria ou tentar descobrir o que as famosas "bases" desejam, como voto.

O resultado dessa gangorra, dessa ciranda ou sei lá o quê, é que estamos vendo um jogo de empurra, quanto às responsabilidades, que acaba detonando com todo sonho ou pretensão de acreditar que estamos vivendo num país sério.

A questão do salário mínimo é delicada, reconheço. Quem recebe, merece mais. Quem paga (e paga todos os encargos sociais que ele traz consigo), paga demais. O que fazer, então, se os tecnocratas de plantão juram, de pés juntos e olhos voltados para os céus, que aumentar o mínimo traz o risco do retorno da inflação e do descontrole da economia????

Confesso que não sei...

Mas a questão do Código Florestal... Gente, só existe um termo que defina o que tal deputado paranaense Moacir Micheleto fez: VERGONHA!

Reduzir a área de preservação da Amazônia, alegando que as terras serão usadas para a agricultura, para gerar alimentos, é, no mínimo, passar atestado de burrice - ou mostrar que há muitos outros interesses em jogo, que não os da nação.

Cabe ao deputado mostrar qual das duas opções é a correta.

Sabe por que? Porque técnicos respeitáveis, cientistas de todo o mundo já alertaram para a questão da pobreza do solo da região - que é a mesma (no planeta) em que se localiza o deserto do Saara. Pode olhar no mapa!!! Os dois estão na linha do Equador!!!

Isso quer dizer que há o risco de estarmos criando um novo deserto? Talvez... Só sei que o solo de lá não serve para plantar. A exuberância da floresta, como a gente já comentou aqui, vem dela mesma, dos restos orgânicos que produz e que se transforma num adubo poderoso. Sem a floresta, o solo morre... E ele reduz a área, dizendo que é para plantar!!!

Sabe o que é pior? As desculpas esfarrapadas que ele apresentou, para fazer um projeto que contenta os membros da UDR, que, na verdade, não pensam em ir para a Amazônia sem poderosos e polpudos financiamentos oficiais, governamentais.

Sabe o que ele disse, quando perguntado sobre o por que de seu projeto, da redução da área de preservação?

"Quem disse que temos de engessar a Amazônia?"

A resposta para ele, é curta, grossa, precisa, cirúrgica!

O bom-senso...