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Existem coisas, em nossa História recente, que parecem destinadas ao esquecimento, à impunidade, por mais que se tente revolvê-las e resolvê-las.
Quer um exemplo? O atentado ao Riocentro, que foi novamente arquivado. A bomba destinada a explodir em 1º de maio, pretendia acabar com o show de MPB. Mais que isso, ela pretendia explodir a crescente resistência ao governo militar, as vozes destoantes que contrariavam o governo Figueiredo, a esperança de se retomar a vida democrática.
Explodiu no colo de militares. Matou um. Feriu outro. Feriu de morte a consciência brasileira. E não há meio de fechar essa ferida, ainda que enterrem o inquérito sucessivas vezes.
O militar sobrevivente foi promovido. Hoje, é coronel. A nossa memória foi rebaixada e hoje já quase nem se lembra de quantas pessoas estavam no Riocentro e poderiam ter perdido a vida, caso as bombas explodissem - a que explodiu no colo dos militares e a que estava na caixa de força e foi desativada...
Pois é... Existem coisas, em nossa História recente, que parecem destinadas a se transformarem em fantasmas permanentes da vida nacional, da consciência nacional. Riocentro, Carandiru, Febem, Eldorado do Carajás, invasões de terra no Pontal do Paranapanema, túnel do Ibirapuera, banda podre, Candelária, Favela Naval...
É... Temos fantasmas para dar e vender!!! A violência social e a impunidade são o nosso Vietnam - pelo lado americano! Não apenas não estamos conseguindo vencer essa guerra, como também não estamos conseguindo exorcizá-la.
Fantasmas nos assombram por todos os lados e, por mais que se queira tranqüilidade, o que se vê é uma sucessão interminável de abusos, que só fazem destruir a pouca paz que conseguimos. E lá vamos nós, arrastando nossos próprios uivos de dor, diante da nossa própria omissão e da nossa própria impotência...
É... Nossos fantasmas ainda cospem em nossa cara... Até quando?????
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