Em meio a toda essa história da morte de Michael Jackson, passou quase em branco uma notícia: foram encerradas as buscas aos corpos dos passageiros e tripulantes do voo da Air France.

Depois de resgatarem 51 dos mais de 200 corpos resultantes do acidente, militares brasileiros e franceses pararam de procurar.

Alegam que, tanto tempo depois do acidente, é inviável, impossível mesmo encontrar mais algum corpo.

Foram sepultados pelo mar... em meio a destroços do avião, restos de navios mercantes, de corais assassinados pelo homem, de combustível vazado de navios...

Foram, mesmo, para um cemitério nas águas. Não terão terra sobre seus corpos, mas sim água...

Para os que acreditam no versículo que diz que "do pó vieste, ao pó tornarás", uma contradição dolorosa.

De qualquer forma, uma ausência consumada, sem algo palpável sobre que chorar.

Enquanto o mundo se debulha em lágrimas sobre a ausência de Jackson (e não quero dizer, em momento algum, que ele não o mereça), algumas centenas de pessoas chorarão seus mortos mais uma vez, agora com a certeza de que não terão sobre o que chorar.

E para os que gostam de filosofar, deixo uma pergunta:

O que é menos doloroso: um corpo sobre o qual se pode chorar, ou a etérea presença - gravada na memória - daqueles que se foram e consigo levaram seus corpos?


Bom domingo pra você!...