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Segundona daquelas!...
O dia começa ensaiando um friozinho, mas o sol mostra a cara de forma a doer nos olhos...
Entre um espirro e outro (num resfriado que tem preguiça de virar gripe...), vejo as notícias na TV e checo as versões online. Afinal, os jornais fazem parte do ritual de acordar a cada dia.
É uma espécie de choque de realidade a que me submeto diariamente, na expectativa de, um dia, acordar e ver que alguma coisa mudou.
Qual o quê!...
Ameaças, tensão, atentados, ataques, invasões, disputa de terras, fraudes eleitorais, revolta geral, questionamentos não respondidos e muita, muita, muita corrupção.
A dose varia, conforme o dia e o humor ao acordar. Mas uma coisa é certa: nunca antes, na história desse país, se pode ver tamanha aberração, tantas falcatruas, tantos desmandos, tanta locupletação, tanto desrespeito à lei e ao povo.
Você pode até argumentar que não houve aumento, mas sim que, agora, as coisas vem à tona, tornam-se públicas porque há democracia, e apresentar milhões de outros motivos.
No entanto, nada disso me convence.
O que vejo desfilar, dia a dia, é uma fila sem fim de atos de corrupção, envolvendo nomes "impolutos" da política, do sistema como um todo.
O que vejo, são homens que ocuparam cargos de confiança e de destaque na máquina pública e que traíram a nação (é bom falar nação, não é? Dá ideia de imensidão, força a imaginação em busca da dimensão do roubo praticado...).
O que você faria, por exemplo, com um salário de R$ 31.500,00 por mês?
Pois foi isso que o tal diretor do Senado determinou para si mesmo. Seus bolsos agradeceram a cada mês de 2008... Enquanto isso, a gente vai amargando a crise, que deveria ser marolinha e virou tsunami - embora ainda se diga que o Brasil sai mais inteiro dela do que muitos países do hemisfério norte.
Eu até concordo, mas dizer que ela não nos afetou, que não nos atingiu, é balela. Basta o fato de termos entrado em "recessão técnica", com a redução das riquezas que somos capazes de produzir.
É só olharmos em volta para percebermos que as coisas estão em tal pé que seria bem possível que estivéssemos nas ruas, protestando, como acontece no Irã dos aiatolás.
Lá, como cá, as aberrações e falcatruas são tantas, que a paciência de Jó ferve, só de ler as manchetes dos jornais.
Mas temos uma diferença: não temos uma tradição sanguinolenta. Não temos, na veia, o sangue fanático que alguns islamitas ostentam e fazem jorrar das mais diversas formas.
Embora latinos - e passionais, reconheço -, não somos capazes da entrega fatal que adeptos do Islã alcançam. Não nos transformamos em bombas humanas. Tampouco mostramos vocação para outras formas de martírio.
Mas motivos para nos nivelarmos por baixo, temos de sobra.
Só não conseguimos, ainda, vergonha suficiente para deixar de votar em determinados elementos...
Vendemos nossa cidadania por uma bolsa=família, um cargo de confiança ou uma caixa de remédios.
Talvez tenhamos muito que aprender com o ensaio de revolução que se desenha no Irã.
Afinal, sob a ótica ruim, o Irã é aqui... Com direito a "aiatolás" que se dizem políticos e não líderes religiosos.
E esses aiatolás detem poder de vida e morte sobre as verbas públicas.
Infelizmente!
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