E o inverno chegou!

E olhe que faz dias que ando meio que encapotada, curtindo adoidado a queda de temperatura. Afinal, moro quase que na sala de visitas do inferno - não se esqueça disso!

De um calorão de 40º no verão, senti a temperatura despencar para uns 20º, em alguns dias, e até 7º durante a madrugada... Doce frio!

Só que essa tal massa polar parece produzir um enfeito colateral que causa mais que gelo na alma, causa um agravamento da indignação.

É que, junto com os dias frios, vieram mais notícias de corrupção no Senado brasileiro.

As histórias não são novas. Desde que me entendo por gente, essas denúncias correm soltas. Em alguns momentos, galopam em maior frenesi. Em outros, parecem hibernar em uma caverna, como um bom urso faz durante o inverno.

E é aí que a chegada do inverno acontece num "clima" diferente...

O urso, desta vez, não quis saber de meter a cara na caverna e resolveu mostrar suas garras. a contragosto, óbvio, mas está a mostrar todos os dentes.

Dentes e garras que sangram nosso suado dinheirinho, em atos secretos, nepotismo, favorecimentos diversos, enfim, uma gama infindável de crimes contra a boa fé do povo e contra nosso suado dinheirinho, travestido de impostos pagos.

O resultado é uma avalanche de escândalos e um presidente que, à distância, quase que do outro lado do planeta, manda dizer que os bigodes de Sarney são intocáveis, que o ex-presidente da República, agora presidente do Senado, é uma pessoa que precisa ser tratada de maneira diferente.

Oras bolas, pianolas!!!

Se a Constituição diz que todos somos iguais diante da lei, por que Sarney tem de ser tratado de maneira diferenciada?

O que justifica o privilégio?

Ter sido presidente da República já lhe confere uma pensão vitalícia que quase ninguém consegue ter o equivalente em renda mensal - embora o Brasil agrupe, hoje, alguns dos maiores milionários do continente.

E, sendo assim, por que será que os bigodões precisaram enfiar parentes na estrutura da folha de pagamento do Senado?

E por que será que o Senado tem de pagar o mordomo da filha dos bigodões?

Está nos jornais de hoje: a auditoria que acontece no Senado identificou casos de nepotismo, superfaturamento, pagamento por serviços nunca prestados e perpetuação de empresas por meio de contratos aditivos. Além disso, hoje em dia são 34 fornecedores de mão de obra, ao custo anual de R$ 155 milhões.

Quer mais números?

Então lá vai: são 3.516 funcionários terceirizados, contra 2.500 funcionários de carreira...

Fale a verdade! É ou não é um inverno inusitado????