Lá se foi Brizola...

E eu que cheguei a imaginar que o velho renitente fosse encarar mais uma campanha presidencial - depois de tentar eleger-se novamente governador do Rio de Janeiro, claro!...

Confesso que tomei um susto.

Afinal, cresci ouvindo e vendo Brizola falar, espernear, esbravejar por aí - dentro e fora do país.

Ainda consigo me lembrar da sua briga encarniçada com Ivete Vargas, pela "posse" do nome PTB.

E da saída honrosa que se tornou a criação do PDT.

E olhe que o partido criado por ele ainda está aí e tem uma significativa parcela do poder - seja com deputados, seja com senadores.

Aliás, o PDT tem um dos senadores que mais admiro: Jefferson Peres.

Mas Brizola se foi.

E vai ser agora que vamos descobrir no que o PDT vai se transformar.

Sem o velho caudilho para ditar seus rumos - apesar de esses rumos mudarem de acordo com seu humor -, quero ver onde o partido vai parar.

O velho renitente, teimoso por natureza e convicção, sempre foi uma voz destoante em boa parte dos acontecimentos que marcaram a história recente do país.

Destoante no sentido de que Brizola, nos últimos tempos, costumava ser do contra. Bastava uma vírgula para que ele despejasse um discurso veemente, tonitroante contra aqueles que julgava seus opositores, os traidores da pátria, os vendilhões do Brasil.

Brizola foi forjado em situações que o país gostaria de esquecer.

Foi moldado na resistência aos golpes contra a Democracia.

O que ninguém poderá negar, em tempo algum, é que ele ajudou a construir a história recente do Brasil e foi, num passado nem tão distante assim, um elo fortíssimo na corrente da resistência.

O velho caudilho se foi, mas certamente deixará um legado que jamais poderá ser ignorado.