Dizem que não é pela força que se consegue grandes mudanças.

E há até aqueles que citam como exemplo a extinta União Soviética. Do sonho de Marx, belicamente materializado por Lenin, o que restou?

Um modelo corrompido e insuficiente para promover a tão clamada Justiça Social.

Será que é pela força que se conseguirá as mudanças necessárias para chegarmos à famosa "sociedade mais justa"?

Veja só:

"Andradina - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) decidiu fazer uma reforma agrária à sua maneira na fazenda Timboré, em Andradina, interior de São Paulo, invadida na noite de quarta-feira por 53 famílias (um total de 115 pessoas) ligadas ao movimento. A fazenda foi pulverizada pelos sem-terra, que montaram barracos em praticamente todas as partes da fazenda, de 774 hectares. 'Estamos loteando esta fazenda. O Incra demora a fazer a desapropriação e nos assentar, por isso, estabelecemos que cada família vai ficar com três ou quatro alqueires', disse o líder dos sem-terra, Cléber Bueno Camargo.

"Segundo ele, a divisão da área foi feita a olho, distribuída em comum acordo com os sem-terra, que saíram de um acampamento que existia na frente da propriedade. 'Esta fazenda é nossa. Só sairemos se o Incra nos der outros lotes, senão isso aqui vai virar um campo de batalha', acrescentou Camargo.

"Peões da fazenda arrebanhavam hoje as últimas cabeças de gado para levá-las a fazendas vizinhas. Segundo um dos administradores da Timboré, Márcio Aparecido de Carvalho, os sem-terra deram prazo até as 18 horas de hoje para que o gado fosse retirado. 'Se gente não tirar o gado, eles avisaram que vão atear fogo no curral e destruir o que resta da fazenda', disse Carvalho. Segundo ele, várias cercas já tinham sido destruídas na quarta-feira, quando os sem-terra soltaram cerca de 1.000 cabeças de gado, muitas fugiram para propriedades vizinhas e para a estrada e estavam sendo arrebanhadas hoje.

"'Eles estão fazendo a reforma agrária deles e nós temos que atendê-los e ficar quietos porque não temos segurança alguma', declarou Carvalho.

"Ele acusou os sem-terra de se apropriarem de um trator e de ameaçar os funcionários da fazenda. 'Fizemos a denúncia na polícia, mas nada foi resolvido e eles continuam lá, usando o trator', disse. 'Isso aqui virou uma terra sem lei', acrescentou. Os líderes dos sem-terra disseram que o trator foi emprestado e negaram ter ameaçado os funcionários da Timboré. Segundo eles, a ocupação ocorreu porque um dos donos da propriedade, Frederico Leite de Moraes, teria quebrado um acordo feito com os sem-terra que estavam acampados às margens da estrada vicinal José Rodrigues Celestino, na frente da fazenda. Na última quarta-feira, a Justiça decidiu, em liminar de manutenção de posse concedida a Moraes, expulsar os sem-terra do local. Segundo a decisão, os sem-terra devem ficar a 10 km de distância da fazenda. 'O fazendeiro tinha prometido que nos deixaria continuar no acampamento, onde estávamos há um ano e quatro meses, mas depois recusou', disse Camargo. Além disso, segundo ele, os sem-terra tinham informação de os Moraes estariam negociando a venda da fazenda para o Incra. 'Agora, queremos a presença do Incra, de um padre, de um juiz para começarmos a conversar', declarou.

"Segundo ele, a invasão deverá ser ampliada com chegada de 50 famílias do Pontal do Paranapanema e outras 200 de acampamentos do MST da região. 'Esta ocupação não tem nada a ver com trégua ou com política. Foi uma decisão nossa. O MST é do povo e não de uns poucos líderes', disse Camargo.

"Um dos coordenadores do MST na região, Valdeci Pereira, disse que o grupo não é dissidente do movimento, mas que as famílias estão revoltadas e decidiram radicalizar porque, se tiverem de deixar o acampamento na beira da estrada, não terão para onde ir. 'Por isso, eles decidiram que o melhor seria ficar dentro da fazenda', afirmou." (Chico Siqueira / Agência Estado)

Conheço Chico Siqueira e sei de sua responsabilidade ao fazer uma matéria.

E isso traz ainda mais insegurança e até revolta.

Afinal, até quando um país será refém da conveniência política de alguns poucos?

Até quando teremos de ver o MST invadindo, destruindo e se dizendo a grande vítima da sociedade?

Até quanto teremos de ver um movimento nitidamente político amealhar gente despreparada para entender o complexo sistema que está vigor?

Ainda que não o tenhamos criado e que não concordemos com ele, não é possível permitir que bandalheiros se arvorem em líderes e que bandidos se pintem de negociadores, para conseguirem destroçar o trabalho alheio, em nome de uma causa que é justa, mas que hoje está desvirtuada e manchada até mesmo de sangue.

Sinto muito, pelos simpatizantes do MST e de seus métodos...

Para mim, o que seus integrantes fazem é guerrilha, numa tentativa de submeter todo um país aos seus desmandos.