"Na boca da noite / Na beira do mato / Os grilos são astros..."

Este é o refrão de uma das músicas de Rosinha de Valença.

Bom... Os mais jovens não devem saber de quem falo.

Mas quem já passou dos 40 e quem gosta, de verdade, da MPB, certamente vai se lembrar de seu nome e associá-lo a uma música de qualidade, inspirada e inspiradora.

Rosinha de Valença, uma violonista de mão cheia, que adorava quebrar tabus e que projetou a MPB no exterior, morreu hoje.

Estava em coma há 12 anos, desde que sofreu um derrame.

Estava emudecido um dos mais belos toques de violão que este país já viu.

Mas, lá no fundo, a gente - sem nem perceber - continua a enxergar grilos como astros, ao ritmo de uma melodia características.

Certamente haverá quem me pergunte porque me emociono tanto com a morte de alguém que não conheço, de quem vislumbrei o trabalho e que já "vegetava" há 12 anos...

Reverencio aqui a mulher adiante de seu tempo, precursora de lutas que persistem, rompedora de barreiras e vencedora de preconceitos.

Reverencio aqui a artista talentosa, que se fez conhecer e respeitar e que legou obras belíssimas.

Reverencio, aqui, o talento.

E isso - talento -, Rosinha teve de sobra!

Foi-se embora para o outro lado, para o andar de cima, em um feriadão, quando os crentes celebram Corpus Christi, como se a lembrar que o corpo fica por aqui, mas a essência caminha entre estrelas.

Rosinha se mandou, com violão e tudo, para outro lugar.

É como se desse, mais uma vez, para a vida. Agora, sob um outro aspecto.

Uma Rosa para a vida...

Enquanto isso...


"Na boca da noite / Na beira do mato / Os grilos são astros..."