|
Morreu Reagan.
Confesso que, a esta altura do campeonato, pouco eu me lembrava dele. Aliás... Praticamente nada!
Quem foi Reagan?
Oras!... Um ator de filmes de B que conseguiu, na política, aquilo que tentou no cinema: ser um astro.
Ronald Reagan foi um presidente armentista, embora tenha assinado vários tratados para redução de armas atômicas.
Foi um presidente contraditório - como tem sido boa parte dos últimos presidentes norte-americanos. Enquanto negociava a libertação de reféns ianques no Irã, fomentava revoltas armadas na América Latina.
Era tipicamente um homem com o olho no poder.
Faria qualquer coisa para garantir a supremacia americana, em tempos de guerra já não tão fria.
Se no cinema não funcionou muito bem como galã ou mocinho de bang-bang, na vida real manteve sempre o dedo no gatilho.
Fazia pose... E tentava evitar o estigma de fazedor de guerras.
Imagino até que ele tenha conseguido evitar envolvimento escancarado em guerras. Mas ele as semeou à vontade, incitando revoltas armadas.
Gesto típico? Talvez...
Reagan teve, de bom, uma história pessoal admirável.
Sua ligação com a mulher, Nancy, foi a virada em sua vida.
E a fidelidade devotada à ela - com recíproca na mesma moeda - tornou-se sua marca registrada. Tanto que muita gente creditava à primeira-dama muitas decisões importantes.
Reagan não dava um passo sem a aprovação de Nancy. E ela manteve-se ao seu lado o tempo todo.
Talvez a história dessa união seja a mais bonita parte do legado Reagan.
Pena que Walker pareça ter herdado apenas e tão somente o lado belicoso e intrigante (de fazer intrigas e não de aguçar a curiosidade, entenda bem!).
O que nomes como Jimmy Carter e Bill Clinton tiveram de negociadores - um lado que Reagan não soube cultivar com tanta freqüência quanto gostaríamos -, Walker tem de belicismo.
O que, venhamos e convenhamos, é um risco constante para o planeta.
Reagan tinha o contraponto da União Soviética. Precisava medir seus passos para não destroçar o planeta.
Walker tem apenas pedras no sapato, que não o impedem de expor todos os seres vivos a todos os perigos, em todos os instantes.
Comparações vazias?
Talvez... Mas, com a morte de Reagan, elas me parecem inevitáveis.
Ainda mais quando o cowboy ensandecido não está nas telas, atazanando o mocinho do filme B. Ele está sentado na sela da Casa Branca, cavalgando mísseis e apontando suas armas para todos os lados, num filme que a gente não gostaria de ver...
Bom domingo pra você!
|
|