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Ei! Não pense que você está vendo as dimensões de uma caixa ou, quem sabe?, de um terreno!!!
Não é isso... É o resultado da votação do processo de cassação de Luiz Estevão, no Senado Federal, na sessão de ontem. Dá para acreditar???? Maioria absoluta, incontestável. Luiz Estevão está fora do Senado e fora da vida pública por 14 anos - pena prevista pela legislação eleitoral.
Mais que isso, ele se transformou no símbolo do expurgo, do mea culpa, do peso na consciência de uma Casa que sempre primou pelo corporativismo, pelo manto protetor que fazia descer sobre seus integrantes, ocultando crimes e maracutaias.
Agora, ainda que não queira, o Senado tem de conviver com esse precedente. E o que se espera é que o exemplo do senador pelo Distrito Federal sirva para ser aplicado em outros tantos casos. Como disse o também senador Gilvan Pereira: "se é para cassar quem está com um pé na lama, 90% dos senadores devem ser cassados".
Ora!... Se é assim, que assim seja. Mas será que o Senado teria peito para tanto????
Será que haveria força e faca para fazer tão profundo corte nas próprias carnes???
Sabe qual a imagem que me vem à cabeça, quando digo isso??? A imagem de um gigante samurai, capaz de seguir com rigidez o código de honra dos grandes guerreiros japoneses e cometer suicídio, em caso de desonra. Acho que o Senado está nessa posição. A posição do guerreiro que, ao cair em desgraça, busca no próprio sangue o elemento necessário para lavar a sua honra.
Na realidade, cassar o mandato de Luiz Estevão foi apenas cortar um dedo, sem decepá-lo. Dói, sangra. Mas não o suficiente para redimir a culpa e nem lavar a honra. É só um começo. E pode ser um bom começo, caso o expurgo seja levado até as últimas conseqüências e a casa seja lavada de cabo a rabo.
Resta saber se os próprios senadores estarão dispostos a investigar seus pares e talvez até a si mesmos, em respeito aos direitos da população e em louvor à honra da Nação.
Luiz Estevão está fora, punido pelos crimes que, ao tudo indica, cometeu. Agora, cabe à Justiça comum averiguar todas as provas, conceder a ele o mais amplo direito de defesa e, em caso de se comprovar tantas falcatruas quantas as denunciadas, cobrar dele não apenas o cumprimento das penas previstas em lei, mas também e principalmente a devolução daquilo tudo que ele tirou dos cofres públicos.
Estevão ainda deve estar tentando adivinhar quais foram os 52 senadores que votaram contra o seu mandato, quem foram os 18 que tentaram mantê-lo no Senado e quais os outros 10 que simplesmente preferiram deixar a batata quente nas mãos de quem tinha mais coragem para fazer a vontade da opinião pública. Por isso o 52 x 18 x 10...
Resta saber se o Senado vai ter peito para continuar a cortar-se a si mesmo. E, mais que isso, se a Câmara vai ter coragem de intensificar o mesmo procedimento.
Afinal de contas, já não se fazem samurais como os de antigamente...
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