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Antes de mais nada, dê-me tempo para respirar...
Juro que não consigo compreender o que está acontecendo, por mais que conheça um sem número de razões que justifiquem, que expliquem tamanha imbecilidade... Por pior que possam estar as coisas, não consigo engolir a carnificina programada pela incompetência, a violência injustificada, a morte em vão.
Não esperava que a semana começasse como começou. Tudo bem, você vai me dizer que essas coisas acontecem a todo instante, em todos os cantos do planeta. E que coisas piores estão rolando por aí, mesmo no Brasil. A morte lenta, a agonia da fome, da sede, do abandono...
Sei de tudo isso. Mas sabe o que mais me "pega", o que mais me tira do sério?
A incompetência e a covardia de quem deveria estar preparado para ao menos tentar evitar tragédias. Isso é o que não dá para admitir. Estou falando, é óbvio, o tal seqüestro de ônibus no Rio, que todo mundo viu ao vivo, em cores, pela TV.
Estou, até agora, tentando entender como um policial de elite pode ser tão desastrado, tão incompetente, tão carniceiro, como aquele que provocou o desfecho mais trágico que a situação poderia ter.
Você acha que estou exagerando, que o policial agiu corretamente????
Tudo bem... É a sua opinião. Mas acho que poderíamos refletir um pouco. Topa?
Então vamos lá... O tal bandido (que, tanto quanto eu ainda saiba, apenas disse chamar-se Sérgio) havia descido do ônibus. Cinco pessoas já estavam em segurança. Uma professora de 20 anos era seu escudo. Lembra da cena? Ele estava de frente para dois policiais, os dois negociadores. Era uma questão de tempo...
Por que, então, aquele policial teve de chegar por trás, armado com uma sub-metralhadora, quando deveria estar empunhando uma pistola? E chegar atirando???? Mais que isso: como pode um policial de elite (teoricamente, muitíssimo bem treinado) errar um tiro à queima roupa?????
Se ele tivesse acertado o tal primeiro tiro, a professora estaria viva, porque o bandido não teria tempo de reação. Nem mesmo um estertor seria capaz de fazer disparar a arma que ele apontava para o pescoço dela. Entende o que quero dizer??? Se o tal policial tivesse sido competente, tivesse agido corretamente, a professora estaria viva...
E quem deu a ordem para o policial agir tão atabalhoadamente???
A professora morreu com três tiros (um no pescoço, um no tórax, um no abdômen). Só que o bandido estava armado com um revólver Rossi, calibre 38, com capacidade para cinco tiros. Ele havia disparado duas vezes, dentro do ônibus. Restariam, portanto, três balas no tambor de sua arma. Ao ser atacado, ele disparou pelo menos mais uma vez. Restariam, então, duas balas. Só que a própria polícia anunciou que na arma encontrada com ele ainda restavam três cápsulas intactas. Quem matou a professora???????
Com tanta incompetência, com tanta ânsia de morte, fica uma pergunta no ar: nessa história trágica, onde a morte foi exibida ao vivo e em cores para o mundo, havia apenas um bandido em ação?????
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