Do Chile vem o melhor exemplo de Justiça de que tomei conhecimento nos últimos tempos... Depois de tantas idas e vindas, na Inglaterra, a Justiça chilena anunciou que está quebrada a imunidade parlamentar do general Augusto Pinochet!

Viva!Iupiii! Hurra!!!

Ufa...

Dá um novo alento, saber que um dos mais sanguinários ditadores latino-americanos vai para o banco dos réus. Quer dizer: pode ir parar no banco dos réus.

Mesmo sendo senador vitalício (cadeira que ele construiu para si mesmo, com direito, é óbvio!, à imunidade perpétua...), Pinochet agora poderá ser julgado por crimes contra a Humanidade, durante os 17 anos em que governou o Chile com mão de ferro, embebida em sangue.

São mais de 300 processos contra ele, somente no Chile. Em todos, a acusação é a mesma: responsabilidade pela morte e/ou desaparecimento de pessoas durante sua ditadura. Cidadãos chilenos e de outros países. Cidadãos do mundo. Partes da Humanidade, amputadas por uma sanha assassina que parece ser contagiante e perene, na América Latina.

Você se lembra de Somoza, da Nicarágua? De Videla, na Argentina? De Médici, no Brasil? No Paraguai, então, são inúmeros... O Uruguai também teve os seus... Bolívia... Colômbia... No Equador, está lá Fujimori, para garantir a perenidade da espécie...

É... Parece que a América Latina gosta de cultivar ditadores. Preferencialmente, que sejam oriundos das Forças Armadas, com predileção especial por aqueles que tenham altas patentes do Exército.

Por que será?

Fico aqui, pensando, tentando entender como funciona essa história toda.

Mais que isso, fico tentando adivinhar onde isso tudo vai desaguar, especialmente agora, com Pinochet a um passo de enfrentar as conseqüências de seus atos. Onde estarão os outros ditadores?

No Brasil, morreram. Já se foram Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo. Daqueles anos de chumbo e sangue, restam ministros, como Delfim Netto e Armando Falcão.

E nós... Restamos nós. Será que nossa memória também restará???