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E eu que pensei que nunca mais veria esse tipo de coisa... Confesso que estou entre assustada e indignada, com as cenas que a TV mostrou, do ataque a Mário Covas. E antes que alguém me chame de reacionária, de verde-oliva, vou logo explicando.
Não dá para aceitar que professores grevistas se comportem como baderneiros. Não dá para acreditar que quem ensina, tenha uma postura tão radical, tão distante da civilidade e tão próxima da brutalidade. Não dá para aceitar que professores, educadores, permitam que baderneiros se infiltrem em seus movimentos e transformem quem sempre mereceu respeito em um bando desenfreado, cuja forma de expressão é a agressão pura simples.
Fiquei estarrecida ao ver um monte de gente pulando sobre Covas, enquanto outros, usando de megafone, diziam "queremos negociar"... Que negociação é essa? A mesma da ditadura?
E não dá para acreditar que um governador, que deveria primar pelo diálogo, adote uma atitude tão temerária, quase de afronta, ao insistir em passar pelo meio de um acampamento grevista... Coragem ou irresponsabilidade????
Não dá para entender... Nem um lado, nem outro...
O que eu vi, gente, foi um atentado à Democracia. A nossa tenra, frágil, indefesa Democracia foi achincalhada, agredida, maculada. O que eu vi, foi um bando raivoso atacar a personaficação dos votos de milhões de eleitores, que colocaram Covas no governo do Estado. E se ele foi ali colocado por votos, será que pedras têm o direito de tirá-lo???
E será que ele tem o direito de negar o sustento àqueles que abraçam a missão de educar, de formar os novos cidadãos????
Sei lá... Em meio a isso tudo, a única coisa de que tenho certeza é de que a agressão foi o golpe de misericórdia no movimento dos professores. O que se tem, de agora para a frente, é a reunião de um monte de gente que perdeu a razão ao atacar tão selvagem quem foi eleito pelo povo (e olhe que muitos professores certamente votaram em Covas, para não eleger Maluf).
De agora em diante, Covas pode se entrincheirar em sua posição e não aceitar negociar com gente que ele pode acusar de serem simples baderneiros, agressores inconseqüentes. Quem vai negar a ele tal direito? Quem vai contestar as imagens que estão correndo o país e, certamente, vão chegar ao mundo (ainda que não lhe seja dada maior importância)?
Covas ganhou munição de sobra para manter a queda de braço. E o que me assusta é a ingenuidade de quem coordena o movimento reivindicatório dos professores, que permitiram a infiltração de gente que nada tem a perder, que só quer mesmo é bagunçar, que prima pela selvageria inconseqüente.
Juro que eu pensei que não mais veria esse tipo de coisa... E vi... E sabe o que sinto agora??? Uma profunda decepção. Porque eu acreditava que estávamos caminhando para o aprendizado do exercício da Democracia. E sempre julguei que professores fossem fundamentais nesse processo.
Agora, infelizmente, eu já não tenho essa certeza. Agora, eu me pergunto que Democracia é essa nossa, onde a brutalidade é a tônica e a corrupção a marca registrada...
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