Gente!...

Hoje faz 35 anos que o Homem pisou em um outro corpo celeste...

35 anos que Armstrong descobriu a sensação de pisar na Lua - objeto de desejo dos cientistas, objeto de adoração para outros, de admiração para muitos.

Aquela imensa bola amarela que paira sobre nossas cabeças, que às vezes ilumina a noite de forma intensa e, em outras, simplesmente desaparece, como que por enquanto.

Cúmplice dos namorados e das conspirações... Inspiradora de gênios e de meros mortais...

35 anos!

E pensar que eu cheguei a ver a transmissão ruim, em preto e branco, cheia de chiados...

Eu era pequena, uma criança, mas lembro da sensação incrível que era testemunhar a História, sabendo que outros milhões de pessoas deveriam estar tendo a mesma sensação.

Um misto de desconfiança e de admiração, que fez com que eu prendesse a respiração por muitos instantes, à espera do desfecho inesperado. Afinal, era difícil acreditar que tudo pudesse sair de forma perfeita e que o Homem pudesse, verdadeiramente, estar ganhando o espaço sideral.

Imagens e mais imagens das séries de ficção científica espoucavam aqui e ali, como os flashes de um futuro já visto... A memória brincando de lembrar, enquanto registrava a História.

Foi uma coisa incrível. Verdadeiramente incrível!

Ao meu lado, meu avô - um italiano daqueles, acostumado a duvidar de tudo o que fosse mirabolante - dizia que aquilo não era possível e que certamente era um filme. Que nada daquilo estava acontecendo e que a boba da história era eu, que teimava em acreditar que o Homem finalmente ganhava asas.

E até hoje, 35 anos depois, ainda há quem duvide do feito.

São tantas as controvérsias, tantas as teorias conspiratórias, tantos "argumentos técnicos" contra a conquista da Lua, que muita gente acredita ter motivos de sobra para duvidar do feito americano.

Confesso que eu também caio na tentação... Também duvido, em muitos momentos, de que tudo tenha acontecido de forma tão perfeita...

Hoje, relembrando aquela sensação incrível, eu me pergunto se tudo não passou de uma ilusão ou se realmente estamos transpondo as portas da ficção, avançando pelo futuro.

Se olhar para o céu e encará-la, verei a Lua de antigamente, aquela que sempre me fascinou... Uma bela senhora a dominar o Cosmos, como se fosse a hospedeira do universo, sua anfitriã e vigilante.

Verei a Lua dos antigos, como a senhora da vida e da morte, capaz de reger os destinos do Homem com uma quase frieza que assusta...

Verei a Lua dos namorados, como se ela pudesse tecer as tramas do amor eterno e abençoar ou amaldiçoar ligações, traçando o destino dos Homens...

Verei a Lua dos céticos e dos cientistas, como um pedaço de rocha estelar, estéril, árido, marcado por incontáveis choques de outras rochas espaciais...

E verei então a minha Lua - algo especial, meio que sem definição... Um quê especial do universo, que banha de luz não apenas o planeta, mas a alma da gente, em dias e noites muito especiais...

Que rege marés e influencia a agricultura, que mexe com as plantas e com a gente... Definitivamente, se eu olhar para o céu, agora, verei uma silhueta branca, esmaecida, escondendo-se atrás de nuvens e voltando a mostrar-se, num eterno jogo de esconde-esconde que me fascina...

Verei a Lua, sim.

E continuarei a imaginar que ela será sempre a porta de entrada para o Universo!