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O Menininho pode continuar teimando em ser candidato...
Afinal, ainda existem pessoas que insistem em repassar todo e qualquer e-mail que recebam - por mais absurdos que sejam seus conteúdos!!!
Mas como para tudo, nesta vida, tem uma solução (ainda que ela demore a ser encontrada), tem coisa acontecendo que merece ser divulgada.
Quer ver?
Essa deu no "Relatório Alfa", de Aldo Novak:
"De 15 dias para cá, Humberto Alves Santos não teve mais sossego em seu trabalho, devido à enorme quantidade de e-mails e telefonemas que vem recebendo. É como se ele tivesse ficado famoso de uma hora para outra. Tudo por causa de um e-mail que enviou a alguns amigos, tentando ajudar a encontrar uma garota supostamente desaparecida. O detalhe crucial: ele repassou a mensagem com sua assinatura automática, em que constam número de telefone, local de trabalho e endereço eletrônico.
"'Recebo telefonemas e e-mails de todos os cantos do país', afirma. Ele já está tão acostumado a explicar a mesma história dezenas de vezes, que quando alguém liga e pede para falar com Humberto, ele imediatamente pergunta: 'É sobre o e-mail?'.
"Humberto Santos é mais uma das vítimas dos hoaxes (boatos) que circulam pela Internet. Por ingenuidade ou por solidariedade, milhares de internautas tornam-se cúmplices involuntários na disseminação destes boatos. Fazem isso ao repassar mensagens e correntes de todos os tipos: vírus que não existem, crianças desaparecidas, campanhas humanitárias, denúncias contra empresas e personalidades, promoções para ganhar dinheiro ou produtos apenas com o envio de e-mails, alertas contra golpes e crimes, esquemas miraculosos para obter vantagens financeiras e tudo o mais que a imaginação de uma pessoa mal-intencionada possa criar.
"Por mais que os internautas sejam orientados a não passar estas mensagens adiante, os boatos continuam proliferando. Mas quando alguém repassa um hoax e sua assinatura é automaticamente inserida no e-mail, o gesto simples pode se transformar num pesadelo, pois muito provavelmente esta assinatura acabará se incorporando ao hoax.
"No caso de Humberto Alves Santos, uma coincidência agravou a situação: o nome da garota que teria desaparecido é Karina dos Santos Alves. 'Muita gente acha que eu sou parente da menina e me liga ou escreve tentando obter informações', esclarece. Mas é quase certo que o nome da criança seja inventado, assim como outros dados que aparecem no e-mail.
"A mensagem afirma que o nome da mãe é Cleodete S. Alves, seu telefone é (11) 3746-8620 e seu endereço de e-mail é cleodetealves@zipmail.com.br. Como é funcionário da Telefônica de São Paulo, Humberto resolveu averiguar estes dados. 'O número de telefone nunca existiu nos arquivos da operadora, e também não há nenhum telefone associado ao nome da suposta mãe', informou. Os e-mails que enviou para o endereço citado voltaram com o aviso de 'usuário desconhecido'.
"InfoGuerra fez o mesmo teste e constatou que as mensagens retornam.
"Para seu azar, Humberto Santos só se lembrou de checar os dados depois que já havia repassado o hoax e viu sua rotina de trabalho ser bruscamente modificada.
"Latas de bebidas contaminadas - Um outro caso, que ganhou proporções muito além do esperado, aconteceu com Fabio Lopes Olivares, engenheiro agrônomo com doutorado em microbiologia de solos e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. Há mais de dois anos, num gesto inocente, ele repassou para alguns amigos um e-mail contendo um alerta sobre supostas mortes provocadas por leptospirose, ao se ingerir cerveja ou refrigerante diretamente das latinhas de bebidas. O texto afirmava que as latas poderiam estar contaminadas com urina seca de ratos, devido à falta de higiene nos depósitos dessas bebidas.
"A mensagem enviada pelo engenheiro passou a contar com sua assinatura automática, na qual constava o título de doutor e o nome do laboratório de biologia em que trabalha. Isto certamente contribuiu para a confusão gerada a partir de então. Olivares afirma que ainda recebe e-mails e telefonemas sobre o assunto, apenas esporadicamente hoje em dia, mas já teve sérios problemas por causa de sua atitude. Ele relata:
"'Enviei o e-mail em dezembro de 1999. Mais ou menos de março a junho de 2000, houve um pico de pessoas fazendo contato comigo por causa da mensagem. A partir de julho de 2000, a situação se acalmou, mas em novembro houve uma nova onda, que durou até janeiro de 2001. Em março de 2001, o texto foi traduzido para o espanhol e para o inglês, então eu comecei a receber mensagens de toda parte do mundo - Uruguai e outros países da América Latina, Espanha, Estados Unidos, Austrália e vários outros'.
"Olivares diz que já recebeu mais de 2 mil e-mails e mais de 800 ligações telefônicas por causa do boato. 'Teve uma época em que eu recebia de 45 a 50 mensagens por dia, mas esse número já chegou a 70 mensagens diárias'. Ele afirma que, por esse motivo, praticamente não conseguia mais trabalhar e estava ficando estressado. 'Tiveram de montar uma equipe na universidade para me ajudar a lidar com a situação e responder a todo mundo que me procurava'.
"Mas seus problemas não pararam por aí. A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes (ABIR), obrigaram-no a assinar uma declaração afirmando que não era responsável pela mensagem e que não havia nenhum estudo comprovando que se poderia contrair leptospirose a partir de latas de bebidas.
"'A ABIR ameaçou me processar, pois seus advogados alegavam que por causa do boato as vendas haviam caído 10%', afirma. Até hoje ainda é possível ver o documento assinado por Olivares, no site da ABAL, que também traz um esclarecimento sobre o boato. A situação chegou a um ponto tal, que ele começou a receber telefonemas de empresas que, aproveitando-se das circunstâncias, estavam interessadas em patentear invólucros de plástico para as latinhas e queriam que o professor disponibilizasse 'seu estudo'.
"É provável que uma lata de bebida suja possa conter bactérias causadoras de doenças, mas não há nenhuma prova de que a leptospirose seja disseminada por esse meio. A bactéria que provoca a leptospirose só sobrevive em meio líquido, por isso a afirmação de que a urina seca de rato possa transmitir a doença não tem embasamento científico.
"Hoje, Fabio Olivares até ri de toda a situação, mas garante que passou por maus pedaços por causa do boato. 'Se há alguma coisa boa nisso tudo, é que a história se espalhou tanto que hoje muitas pessoas tomam mais cuidado com as latas, lavando-as ou usando um canudo para ingerir as bebidas', conclui.
"Portanto, vale o alerta novamente: não repasse mensagens duvidosas, por mais importantes ou urgentes que possam parecer os assuntos. Mas se sua tentação for irresistível, pelo menos retire eventuais assinaturas automáticas do e-mail. Caso contrário, seu dia-a-dia poderá sofrer uma reviravolta.
Esses bons exemplos bastam ou você ainda precisa de mais algum, para entender que os boatos podem ser "prejudiciais à saúde"???
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