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Sei que tem muita gente que freqüenta este nosso cantinho e acha que falo demais em Aids. Mas juro que é impossível ficar indiferente a esse monstro, quando já se viu de perto (bem de perto...) o seu poder de destruição.
Quem já acompanhou a agonia de um doente de Aids, de uma vítima do HIV, sabe bem do que estou falando. Quem já encarou o monstro de frente, não consegue ficar impassível. Ainda mais quando se toma conhecimento de notícias como esta:
"A Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA prevê que, por volta de 2003, o Zimbábue, Botsuana e a África do Sul terão grandes reduções populacionais por causa da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).
"Será a primeira vez, desde a terrível Peste Negra (que começou na Itália em 1347, matando mais de 100 milhões de pessoas), que uma doença causará a diminuição populacional, segundo Karen Stanecki, do Birô de Censo Populacional dos EUA.
"O Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/AIDS afirma que 35.8% da população de Botsuana está infectada pelo vírus. Diversos outros países africanos já atingiram índices equivalentes a 25%! O crescimento populacional no Zimbábue é igual a zero!"
Comparar o HIV à Peste Negra pode ser algo que force uma reflexão mais profunda, por parte daqueles que insistem em fechar os olhos para o que está acontecendo. E talvez até possa servir de alerta para aqueles que tripudiam a sorte e ignoram o perigo.
Mas não sei se será eficaz. A Peste Negra está tão distante, na História, que para muitos deve ser apenas mais uma citação neste ou naquele livro, apenas um leve traço na memória da Humanidade. Talvez nem mesmo as duas Guerras Mundiais, tão recentes em termos históricos, consigam ser mais que vagas lembranças de trechos de livros de escola...
E, no entanto, dizimaram milhares de vidas... Como a Aids está fazendo em todo o planeta.
Para os fatalistas, os apocalípticos de plantão, a praga do milênio é apenas isso: uma praga destinada a expurgar os maus seres humanos, a preservar os "justos", os "merecedores" dos favores dos céus...
Quem viu aquilo de que o HIV é capaz, sabe que a história é outra...
Este monstro não escolhe vítima, não olha cor, não olha sexo, não olha idade ou religião, nível cultural ou poder financeiro. Ele tem predileção apenas por uma coisa: ceifar vidas. Da maneira mais cruel que a natureza possa idealizar...
E que triste meio de controlar a taxa populacional a Humanidade encontrou!...
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