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Gente do céu! Que correria!
Jornal novo, redação nova, a rotina do dia-a-dia elevada à enésima potência e a gente tendo, em meio a tudo isso, de encontrar tempo para respirar e ainda para gritar!
É! Gritar, mesmo... Aquela coisa de abrir a boca, encher os pulmões e deixar o som sair no maior volume que se conseguir...
Juro que venho sentindo cada vez mais vontade de fazer isso. Você se lembra do filme "Cabaré"? Pois é... Pena que, aqui onde moro, não exista metrô e que o trem tenha tido seu traçado modificado. Fiquei sem fonte direta de barulho...
Ah, desculpe!... Você não está entendendo o porque da minha crise quase histérica, não é mesmo? Então eu explico...
Rotina de jornal é uma maluquice que nos faz viver pelo menos com 24 horas de antecedência. O que você classifica como sendo "hoje", para mim já é "ontem". O que você chama de "amanhã", para mim é "hoje". Se é que você me entende...
E a gente vai tendo de lidar com aquilo que o mundo tem de mais cruel, de mais doloroso, com a pior face da vida. Não que jornalismo se faça apenas com a desgraça alheia. Mas é que parece que o mundo enlouqueceu de vez e que só coisas ruins pululam por aí.
O que fica disso é uma agonia que talvez você nem consiga imaginar...
O que resulta dessa loucura toda é uma ansiedade tremenda por notícias boas, que tragam um pouco de consolo, um pouco de esperança. E, nessas horas, a gente se agarra ao que existe de mais místico e reconfortante.
A gente sai, olha a Lua e pensa em como deve ser bom poder flutuar e sentir o carinho de seus raios, o afago do sol, o alívio da chuva, a carícia do vento...
A gente fica pensando em como será Deus ou como são os Deuses... E fica viajando, pensando que o Olimpo talvez esteja na próxima esquina. E sente uma vontade louca de partilhar o caminho com alguém mais, para jogar conversa fora, para trocar impressões e gestos...
E, de repente, topa com uma manchete, onde está dito que a reunião de cúpula entre árabes e israelenses está em crise, que a região está novamente pronta para explodir. E tudo porque os dois lados querem ter o controle absoluto de Jerusalém, talvez a mais sagrada das cidades construídas pelos homens...
Entre desanimada e chocada, confesso que já nem sei mais o que pensar... Fico aqui, matutando, dando tratos aos meus neurônios neuróticos e não consigo chegar à uma conclusão.
Por que será que insistem em algo que serve apenas para semear a discórdia?
Por que não declarar Jerusalém patrimônio histórico, cultural e espiritual da Humanidade, zona livre, regida por uma comissão internacional de gestão?
Milenar, a cidade amarga suas cicatrizes e aguarda o futuro de olhos tristes. Um santuário maculado pela intransigência, pela obtusidade...
Imagino Jerusalém, seus caminhos, suas pedras, sua desesperança... Pobre cidade...
Ai de ti, Jerusalém!...
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