|
Quanto mais a gente reza, mais assombração aparece...
E quanto mais a gente pede paz, mais motivos para guerra surgem por aí. Estava lendo os jornais e me deparei com mais uma manchete de tirar o sono. Estava lá:
"Vazamento de óleo polui rios em Curitiba
"O vazamento de cerca de 4 milhões de litros de óleo da tubulação da Refinaria Presidente Getúlio Vargas cobriu com uma mancha negra de 20 quilômetros de extensão as águas dos Rios Barigüi e Iguaçu, na região metropolitana de Curitiba."
Dali a pouco, na TV, um alto executivo da Petrobrás dizia que os técnicos da companhia já estavam em ação e que a mancha seria rapidamente contida.
Na hora do almoço, a notícia ainda pior: não só os técnicos não conseguiram deter a mancha, mas as primeiras informações davam conta de que o desastre teria sido provocado por falha humana.
Fiquei pensando no que não estará acontecendo na cúpula da maior empresa brasileira e naquela que já foi apontada como o modelo de estatal que deu certo, como a maior prova de que a tecnologia brasileira pode se igualar ao que de melhor existe no planeta, que temos exclusividade na tecnologia de exploração de poços submarinos, e mais um milhão de coisas...
Talvez tantas coisas quantos os litros de óleo derramados pelos dutos dessa mesma grande empresa em várias partes do país, inclusive os mais recentes, como o da baía de Guanabara...
Enquanto pensava, era como se eu pudesse sentir o óleo enchendo a sala... Aquela coisa preta, gosmenta, pegajosa, se espalhando, se infiltrando, se entranhando em cada canto, em cada fresta, em cada dobra, em cada página, em cada capa, em cada disco, em cada CD, em cada fio da trama das roupas...
E fui sentindo cada poro se enchendo de óleo, enegrecendo, sufocando...
Faltou ar... Faltou vida...
É... Se a Petrobrás é o modelo brasileiro que deu certo, acho que estamos em maus lençóis... Em negros e pegajosos lençóis...
|
|