Quanto mais eu rezo, mais assombrações me aparecem...

Eu juro que queria apenas acreditar que é possível expurgar-se ao menos uma parte da corrupção do país. Que, ao menos uma vez, fosse possível punir falcatruas e mandar culpados "de grande porte" para a cadeia.

Queria acreditar que estamos no caminho certo, que é possível tomar as rédeas do país nas mãos e botar para fora quem gosta da baderna nos cofres públicos.

Querer, eu queria. Aliás, continuo querendo! Mas hoje, a minha esperança está pequenininha, deste "tamaninho"...

Sabe por que? Porque estou vendo uma série de coisas acontecendo, que me fazem pensar que realmente não somos um país sério e que aqui as coisas acabam não mais em pizza, mas sim em comida francesa.

Em São Paulo, Pitta criou mais uma administração regional, ressuscitou a lei dos bares, a lei dos cachorrinhos e está conseguindo safar-se do impeachment e das investigações de uma série de deslizes, como o frangogate, a Copa em Paris e a rapinagem sobre os camelôs.

Em Brasília, Eduardo Jorge não aparece para explicar seus famosos telefonemas para o juiz Lalau dos Santos Neto. E FHC já disse que não sabia que o Jorge tratava, com o Lalau, sobre a nomeação de juizes para causas trabalhistas.

Vejo tudo isso e fico me perguntando: se FHC não sabia, quem é que sabia? Foi tudo na moita, às escondidas?? E que juízes eram esses? Que causas eram essas? Em algumas delas o governo era réu? E qual o valor dessas causas?

E se Pitta safar-se do impeachment? E se ele não explicar o caso dos frangos vendidos pela família da Maluf? E se Maluf não disser mais que a Câmara tem de cassar sua criatura? E se o paulistano esquecer tudo o que aconteceu nesses últimos anos? E se Maluf se eleger novamente? E se Maluf sair para presidente?

Quer saber de uma coisa??

Estou de s... cheio!

Azar do político que hoje vier pedir meu voto! Sou capaz de, ao invés de pedir-lhe o curriculum vitae, exigir que ele me apresente a sua ficha corrida, seu atestado de antecedentes criminais.

Pode ser a melhor pessoa do mundo, mas vou imaginar que já se enrolou com a polícia, que, em algum momento da vida, já tentou levar vantagem em cima do alheio e meter a mão no cofre público...

Pode ser político de primeira viagem, primeira eleição, que eu vou acreditar que, de alguma forma, ele já conseguiu uma boquinha...

Posso até estar errada, mas a desesperança me obriga a isso.

Que Antonio Maria me perdoe, por parafraseá-lo. Mas sou brasileira e, hoje, a minha profissão é a desconfiança...