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Acho que já comentei com você que sou romântica e idealista. Incurável.
Talvez por isso algumas coisas me comovam até às lágrimas, ainda que, aos demais, não sejam suficientes para isso. Pode ser apenas a sensação do vento gelado no corpo, ou a gargalhada dos meus sobrinhos... Pode ser um texto.
Como o texto postado por Márcia Frazão, dias atrás, numa lista de discussão.
Quando li seu e-mail, fiquei estática. Simplesmente não podia ter outra reação que não a de reverenciar a mulher e a bruxa, o ser humano sensível, que traduzira em palavras um sentimento que, para mim, parecia enigmático e não passível de ser transcrito para uma linguagem que pudesse compreendida por todos.
Só tenho uma forma de reverenciar essa bruxa e de demonstrar minha admiração: partilhar com você a jóia rara que ela me fez chegar às mãos. E só posso dizer: emocione-se...
Então, se é assim, aqui está:
"Porcus tristes. Amei essa expressão e troquei o ‘o’ pelo ‘a’, para torná-la mais de acordo com o mundo tristíssimo em que estamos vivendo. Um mundinho careta, abominavelmente comprometido com business e business.
"Ah!, parcus tristes, como foi que a humanidade foi parar no esgoto e não se deu conta? Por que continuas a me olhar com esses olhões de vaca triste? Por que o teu leite tem o gosto das lágrimas e a tua carne, o sangue da violação?
"Por que te tornaste um sacrifício estéril e nem as virgens te honram? Por que tanta paura e solidão no trabalho das tuas parcas irmãs?
"Por que a agulha, a tesoura, e o tear delas já não norteiam os homens e inspiram os poetas?
"Ah!, parcus tristes, por que emagreceste e te tornaste um esqueleto que assusta as minhas noites e enegrece os meus dias? Por que já não habitas os confins do Egeu, junto aos lamentos e os gritos do homem? Por que vieste para o lugar de Eros? Por que trancafiaste o pequeno deus?
"Por que viraste uma afirmação sem perguntas e insiste em não ouvir as minhas perguntas?
"Pois é, gente, os tempos são de Parcus Tristes - o deus que o homem, na sua insensatez, elegeu como guardião.
"Mil luas,"
Marcia Frazão
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