Ao que parece, 2007 vai ser um ano quente, no que diz respeito às questões dos direitos de cada um.

Enquanto o papa esbraveja contra a modernização da visão que se tem dos santos e até de Deus, os estados vão se modernizando e até revendo suas leis.

Nada mais justo!

Afinal, se a sociedade muda, as leis têm de mudar. Não no que diz respeito aos conceitos de respeito à vida, em todas às suas formas, mas no que concerne ao reconhecimento da igualdade entre os homens.

Boa prova vem do próprio Brasil. Veja só:

"Os homossexuais vêm conquistando aos poucos mais espaço na sociedade e a questão da adoção de crianças por casais gays está na ordem do dia. Nesta semana, a Comissão Especial da Lei de Adoção, da Câmara dos Deputados, aprovou o relatório da deputada Teté Bezerra (PMDB-MT) que permite a adoção por casais homossexuais. No Brasil, uma menina adotada por um casal de homens em Catanduva, interior de São Paulo, tem os nomes dos dois pais na certidão de nascimento, em decisão judicial inédita no País. Anteriormente, dois casais de mulheres, um de Bagé (RS) e um do Rio de Janeiro, também conseguiram adotar uma criança. No mês passado, Mary Cheney, 37 anos, filha do vice-presidente norte-americano Dick Cheney e que vive com a companheira Heather Poe, 45, há 15 anos, anunciou estar grávida. E na novela da TV Globo Páginas da Vida, um casal de homens vai tentar adotar uma criança.

"Para a psicanalista Elisabeth Zambrano, essas famílias homoparentais já são uma realidade, e o Direito tem mais é que contemplá-las. Mas por que há tanta resistência à idéia de dois homens ou duas mulheres criarem saudavelmente uma criança?

"Elizabeth faz doutorado em Antropologia Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tendo como tema o direito à homoparentalidade. 'Sempre houve uma pressuposição de que não seria 'saudável' para a criança e que não havia estudos a respeito', mas a pesquisa dela mostrou que há estudos desde 1973, pelo menos, sempre ignorados. As principais fantasias usadas como argumento contrário à homoparentalidade - "a criança terá mais probabilidade de ter doenças mentais como a depressão, a criança será homossexual também, a criança será abusada pelos pais, a criança sofrerá preconceito" - não são comprovados. Há quem invoque Deus, para dizer que a homossexualidade (e, por extensão, a homoparentalidade, 'não é normal' ou 'é contra as leis de Deus'. Religião, diz o ditado, não se discute. E como o Brasil é um Estado laico, juridicamente estes argumentos não têm validade.

"E esta argumentação, com um fundo moral/religioso, 'é do mesmo tipo que foi usado contra o divórcio, por exemplo', diz Zambrano. 'As pessoas se dão o direito de ditar regras, como se família fosse apenas um pai, uma mãe e seus filhos', completa. Mas o que a realidade nos mostra são famílias compostas por duas mães e seus filhos, dois pais e seus filhos, irmãos que atuam como pais, crianças criadas por parentes como avós ou tios, por vizinhos, e muitas outras combinações. A psicanalista destaca que 'reconceito, sim, a criança sofrerá, mas como qualquer outro integrante de um grupo socialmente marginalizado'. Ou seja, é absolutamente necessário lutar contra o preconceito. 'Essa visão que exclui e marginaliza é que deve ser mudada', defende.

"A advogada Sylvia Maria Mendonça do Amaral ressalta que adoção por casais homossexuais é matéria polêmica e as decisões favoráveis na Justiça brasileira ainda são poucas. 'A prática é que um dos parceiros adote a criança, como solteiro, e passe a conviver com ela juntamente com seu companheiro. Essa prática, por ser a mais viável, é a mais utilizada', explica. 'Porém, com a aprovação do projeto esse quadro deve mudar e se tornar uma adoção normal', afirma.

"Uma criança precisa de amor, dedicação, alguém que lhe dê as condições para crescer saudável, tendo seus direitos e deveres observados e respeitados. Abra um jornal: todos os dias crianças são maltratadas, inúmeras vezes por seus próprios pais e mães - e eles não são homossexuais. Na hora da adoção, o que deve ser observado é se os postulantes têm ou não condições de oferecer à criança que desejam um ambiente en que ela possa se desenvolver de forma saudável e completa. Zambrano é categórica: 'a paternidade ou maternidade não deve ser baseada na sexualidade'." (Redação Terra)

Este é o conceito que considero válido: oferecer à criança abandonada, excluída, a possibilidade de ser cuidada, em um conceito novo de família.

Quem ama, cuida. E quem cuida, merece o status de pai ou mãe.

Chega de hipocrisia!

Já passa da hora de a gente ficar fabricando menores abandonados ou trombadinhas.

Se podemos ter uma chance de passar a criar cidadãos, não devemos perdê-la!

Respeito é bom e todo mundo gosta. Até mesmo uma criança que não saiba definir "respeito" da maneira como julgamos correta.

Amor e carinho só fazem bem.