- Coluna da Sal - Os magos






6 de janeiro.

Dia de desmontar a árvore de Natal e preparar o espírito para as turbulência do ano inteiro.

Aliás, turbulência não nos faltou nesses primeiros dias de 2004.

Hoje também é dia de pensar nos Reis Magos.

Além de reis, seriam magos...

Feiticeiros, para aqueles que adoram provocar polêmica. Astrólogos, para outros; astrônomos, para alguns.

Para todos, no entanto, fica a sensação de que Gaspar, Baltazar e Belchior foram mesmo uns privilegiados, que teriam visto Jesus menino alguns dias depois de seu nascimento e seriam dos primeiros a reverenciá-lo como o salvador do mundo.

Os presentes - ouro, incenso e mirra - seriam, na época, presentes dignos de reis.

Nos tempos de agora, fico me perguntando que presentes Gaspar Baltazar e Belchior trariam a um rei...

E se eles tivessem de visitar um lugar, em busca desse rei, que lugar escolheriam?

Washington?

E como eles reagiriam ao se depararem com Walker e sua belicosidade tão exacerbada?

Será que pensariam que aquele era o novo Herodes?

Ou será que eles iriam parar em Londres, batendo à porta de Blair?

E o que pensariam, então?

Será que imaginariam que estavam diante de Caifás?

E se fossem parar em Brasília?

E se batessem à porta do Palácio do Planalto?

O que pensariam, se dessem de cara com Lula?

Será que imaginariam que estavam diante de quem?

De Pilatos?

E que presentes ofereciam a Walker? E a Blair? E a Lula?

Que magias eles poderiam oferecer ao mundo de hoje, além de ouro, incenso e mirra?

Será que trariam, em sua caravana (sim, porque dizem que não eram apenas três reis), um punhado de esperança?

Uma boa safra de justiça?

Um carregamento de tranqüilidade?

Pois é...

Hoje é o dia dos Reis Magos...

E fico pensando que, nos dias de hoje, mais que reis, eles teriam de ser poderosos magos.

E como estamos carentes de magia!...

Pelos deuses!...

Pelos reis!...

Pelos magos!...

Que nos venha a esperança, porque carecemos, antes de tudo, de humanidade...