Duas coisas chamaram minha atenção, nos últimos dois dias...

Enquanto ainda me alegrava com a decisão de um juiz carioca, que concedeu a guarda do filho de Cássia Eller a Maria Eugênia, eis que surge uma outra notícia: no Rio Grande do Sul, uma juíza determinou que o INSS reconheça uniões homossexuais estáveis, pagando pensão e outros benefícios ao parceiro "remanescente".

Ao que me parece, pouca gente já se deu conta do peso histórico dessas duas decisões.

Elas determinam o fim do preconceito na lei, que antes era simplesmente omissa ou colocava empecilhos injustificáveis, ao reconhecimento da união homossexual.

Ficava sempre uma pergunta no ar: por que parceiros do mesmo sexo não poderiam ter os mesmo direitos de parceiros de sexos opostos?

Ainda mais quando a nossa Constituição prega que todos "são iguais perante a lei", independente de raça, credo, religião ou opção sexual. O que impedia era o preconceito, a idéia pré-concebida de que duas pessoas do mesmo sexo não podem constituir uma família, não podem ter uma relação estável. Isso seria, em suma, um grande pecado!

Mas quem determinou o que é certo e o que é errado, o que é certo e o que é pecado?

Apenas "leis" escritas pelos próprios homens. Portanto, leis passíveis de erros e permeadas de preconceito.

Por que, por exemplo, um homem mais velho pode casar-se com uma garota, sem que para isso existam tantos empecilhos legais?

'Tá vendo?

Tudo é possível, quando se trata de agir com bom senso e pensar no respeito ao próximo, de verdade.

Foi assim que agiu o juiz carioca, ao pensar na integridade emocional de Chicão e fazer com que ele permaneça ao lado de uma das duas mães que conheceu. Ninguém melhor que Maria Eugênia para respaldá-lo em tudo na vida. Com que outra pessoa ele poderia falar da intimidade que apenas os três desfrutavam? Com que outra ele poderia dividir a ausência no dia-a-dia, como aquele canto em que a mãe costumava ficar, ou de que lado da cama ela preferia dormir??

São detalhes que constróem uma vida, que alicerçam um coração...

E são esses detalhes que definem o que é uma relação verdadeira ou não. E são esses detalhes que, a partir de agora, a lei e o Governo terão de aprender a respeitar.

Afinal, tudo na vida tem de evoluir. Até mesmo as leis!...