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Tem gente que não cria juízo, mesmo... Por pior que sejam os bocados passados, não tem jeito...
São Paulo, agora, está vivendo os preparativos para uma guerra civil. E nem ouse imaginar que eu estou exagerando! Deu nos jornais: "As milícias urbanas, que atuam na clandestinidade e se espalham por toda a cidade, são formadas por civis pagos para vigiar lojas e casas. Acabam tomando conta do espaço público e assumem ilegalmente a função de polícia - dever do Estado. Ser alvo das ações das milícias não assusta comerciantes e camelôs que as financiam. Eles dizem confiar nos seus ‘seguranças’ e não ter opção. Acusam a polícia de ser ineficiente."
Pois é... Está entendendo agora, o que estou querendo dizer?
Imagine um exército de gente "sarada", bem alimentada, mal treinada, armada até os dentes, percorrendo as ruas de uma cidade sempre pronta à explodir... Isso não é treinamento para guerra civil, não?
Não estou dizendo que a coisa seja inevitável, que vá explodir daqui cinco minutos e logo na primeira esquina. Não é isso...
Mas fico aqui, pensando com meus botões, tentando colocar Tico e Teco para trabalhar... Que a polícia de São Paulo não é lá tão eficiente quanto seria preciso e esperado, todo mundo está cansado de saber. Pior ainda: todo mundo que ela está corrompida - o primeiro passo para a arbitrariedade e a conivência.
Mas vai uma longa distância entre denunciar essa corrupção, essa ineficiência e cobrar providências de quem de direito (e dever), e armar o cidadão despreparado e talvez ainda mais sanguinário que os policiais arbitrários que se vê por aí...
Já pensou no que pode acontecer?
Um sujeito desses, prontinho para explodir, parecendo uma bomba H ambulante, ganha um emprego de "segurança", uma sub-metralhadora e licença para "coibir" aquilo que o tal comerciante define como sendo crime...
Dá para imaginar onde isso vai parar. Quando cada um começa a fazer a sua lei e a implantá-la à bala, o resultado é pior que no Velho Oeste americano, com aqueles famosos duelos ao por do sol, que é para a coisa ficar ainda mais recheada de suspense.
Só que esse suspense vai, certamente, custar a vida de muita gente inocente... Você lembra de Dalila Francisco da Silva? Não? Então deixe que eu lhe conta uma historinha...
Em 1984, Dalila foi presa por furtar um saquinho de leite de um supermercado... Virou notícia, pela maneira como sua detenção aconteceu... E sabe por que ela fez isso? Porque estava desempregada, com um bebê e não tinha como amamentar o filho. O mais comovente em sua história, é que ela havia pedido o leite ao gerente... A intransigência negou e ela furtou... "Me deu na cabeça de roubar o mercado, pra arrumar comida", foi a frase que ela usou, para assumir o crime...
Já pensou se a história de Dalila acontecesse hoje?
Tico e Teco, amedrontados, me avisam: se fosse hoje, Dalila seria mais uma estatística policial da megalópole, com a referência: "morta a tiros, por resistir à prisão, determinada pelo gerente do supermercado e executada pelos ‘seguranças’ da loja, que estavam armados"...
Durma-se com uma agonia dessas!!!!
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