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Existem situações que mostram, com surpreendente clareza, como os "preceitos" humanos são falhos... O caso do ex-ditador chileno Augusto Pinochet é uma dessas situações.
Depois que a Justiça espanhola conseguiu a sua extradição, para julgá-lo por crimes contra a humanidade, a defesa do ditador passou a pedir o perdão e a sua volta ao Chile por "questões humanitárias", alegando que ele não tem condições de saúde para resistir ao julgamento. Deu nos jornais:
"O ex-ditador Augusto Pinochet, do Chile, está com a saúde profundamente deteriorada e talvez não tenha condições de sobreviver a um julgamento na Espanha, informou o jornal Sunday Times. Médicos que o examinaram no Northwick Hospital, zona norte de Londres, na semana passada, descobriram que ele está com uma infecção virótica, além de ter diabete, doença cardíaca e estar sofrendo os efeitos de dois derrames cerebrais moderados, acrescentou o diário londrino. Os resultados dos exames médicos de Pinochet, de 84 anos, intensificam as pressões para que Jack Straw, ministro do Interior da Grã-Bretanha, autorize o retorno do general ao Chile por razões humanitárias."
Quando leio esse tipo de coisa, fico aqui, matutando...
Será que Pinochet pensou nas tais "razões humanitárias", ao longo de seu regime sanguinário?
Será que essas razões humanitárias nunca passaram pelas cabeças - dele e de seus asseclas -, quando pessoas que resistiam à idéia de perder a liberdade eram torturadas, massacradas por eles?
Será que essas mesmas razões nunca passaram pelas cabeças daqueles que, hoje, defendem o velho ditador, apoiando seus atos passados e indo contra a própria História, que prega a igualdade entre todos e o direito de livre pensar???
Sei lá... Fico aqui, pensando, remoendo... E me pergunto se é por "razões humanitárias" que se deve esquecer tantos crimes, tantas barbaridades... E não só aquelas cometidas por Pinochet!
E quanto mais penso, mais me dói o coração... Aquela dor aguda da impotência, de quem pouco ou nada pode fazer para reescrever a História, porque não se tem o dom de devolver a vida aos que foram assassinados por simples diferenças ideológicas...
E também penso no que leva alguém, movido por essas tais diferenças, a pegar em armas, a ferir, a matar... E em nome da "liberdade", como se liberdade fosse a supremacia de uma ideologia sobre outra, de fé uma sobre outra, de um partido sobre outro, de uma facção sobre outra, do homem sobre o homem...
Sei lá... Acho que hoje estou mais para fugir de kriptonita, que para escrever... Às vezes, a gente esquece que super-poderes só existem nas histórias em quadrinhos e quer logo ir pedindo um pouco emprestado...
Falando nisso, você viu o meu amigo Super-Homem por aí? Se ele não estiver, serve o Batman, mesmo...
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