Algumas profissões parecem que chamam o perigo... Ei! É sério! Você nunca reparou nisso?

Se tirarmos profissões como polícia e bombeiro, outras tantas que, aparentemente, não oferecem tantos riscos, vão surgir como verdadeiros "pára-raios", chamando tudo o que é "bomba" para quem as escolhe. Jornalismo é uma delas.

Para muita gente, ser jornalista é viver no bem bom, cobrindo acontecimentos históricos cheios de pompa, vivendo ao lado de pessoas famosas e importantes, enfim, um oba-obra daqueles, de fazer inveja a meio mundo!

Só que a coisa não é bem assim... Todo mundo se esquece de que, para fazer a notícia chegar ao leitor, ao ouvinte ou ao telespectador ou internauta, muita gente está ralando pelo planeta afora, encarando a morte de frente e sabe-se lá que espécie de perigos.

Quer ver? Então olhe só a notícia que saiu no Estadão:

"O grupo de acompanhamento francês Jornalistas Sem Fronteiras divulgou um relatório sobre as condições de trabalho dos profissionais em todo o mundo. De acordo com a entidade, 36 jornalistas foram assassinados em 1999, o dobro do registrado em 1998, a maioria enquanto fazia cobertura de guerras. Dez jornalistas morreram em Serra Leoa, o local mais perigoso. O relatório também informa que 446 jornalistas foram presos enquanto trabalhavam, e 653 sofreram ataques. A República Democrática do Congo, Cuba e Turquia são os países que mantêm o maior número desses profissionais em prisões."

Viu só? A coisa não é tão simples quanto parece...

A história está cheia de gente que morreu ou ficou gravemente ferida, enquanto fazia uma cobertura jornalística. No Brasil, mesmo, temos alguns bons exemplos. Você, certamente, se lembra do cinegrafista que foi agredido durante a Copa do Mundo na França, por aqueles torcedores (?) alemães. Ele até baixou hospital, mas a coisa não foi tão séria quanto aconteceu com o policial francês, que chegou a ficar em coma.

O exemplo mais tradicional de amor à profissão é o de José Hamilton Ribeiro. Você não o conhece? Então vamos lá... Mais uma pequena história das minhas "memórias"...

Na década de 60, circulava a revista "Realidade" (depois extinta, até por conseqüência dos atos inacreditáveis da censura). Ribeiro era repórter da revista e foi designado para cobrir a guerra do Vietnã, então causando o maior rebu em terras do Tio Sam, porque o pessoal já não queria mais ir para a luta. Eram os tempos do "paz e amor"...

Como você deve ser muito jovem, é preciso dizer que foi a filosofia hippie que divulgou este "slogan" e obrigou o governo dos Estados Unidos a sair da guerra no sudeste asiático, porque muitos americanos estavam morrendo por lá. Foi a maior derrota do Tio Sam neste século, pode ter certeza. Ainda mais porque foi provocada por um bando de guerrilheiros... Coisas que só a guerra explica...

Voltando a José Hamilton Ribeiro, ele foi ao Vietnã e, numa das caminhadas para ir em busca da notícia, acabou pisando numa mina terrestre e perdeu uma perna. O acidente rendeu uma matéria belíssima, onde ele descreveu como deviam sentir-se os civis perdidos em meio aos tiroteios, às barbaridades que a guerra arrasta consigo...

Agora, esse relatório mostra que as coisas não mudaram muito, ao longo dos últimos 30 anos... Os tempos continuam bicudos, mesmo que já estejamos vivendo o último ano do século, do milênio, da Era de Peixes...

É... São coisas da Humanidade... Que nem a própria Humanidade explica...