- Coluna da Sal - Tudo é carnaval






Ei!

Você não vai ralhar comigo, só porque o atraso, hoje, foi maior - vai?

Afinal, é carnaval...

E quem é que hoje, segunda-feira (argghhh!!!) de carnaval, não está com preguiça?

Ainda mais quando cai uma chuvinha, fininha, gostosa para se ficar na cama?

Então...

E foi assim, na cama, curtindo a chuva, que comecei a pensar em tudo o que acontece neste nosso paisinho de todos os deuses.

Afinal, enquanto Dionísio vagueia com seu cortejo, meus dois neurônios neuróticos (que pediram folga nesta folia...) resolveram aprontar das suas.

Vejamos!

Esta história do tal Waldomiro, por exemplo.

O cara aprontou, pediu dinheiro, conseguiu dinheiro, bancou campanhas, ganhou muita grana e, agora, causa este rebu todo.

O negócio é saber quanto ele extorquiu, de quem, desde quando, a mando de quem, para beneficiar quem...

Claro que isso é o óbvio e aquilo que se espera que a polícia faça.

Mas aí eu fico pensando... Se o problema está no cara, por que os bingos têm de pagar a conta?

Se os bingos lavam dinheiro do tráfico e da bandidagem em geral - e eu não duvido disso nem por um único instante -, o problema maior está na falta de fiscalização.

Se você manda alguém fazer alguma coisa por você, o mínimo que se espera é que você vá conferir (ao menos de vez em quando) se a coisa realmente está sendo feita. E bem feita!

Fiscalização. Esta é a palavra chave.

Veja a Caixa, por exemplo.

Dizem que tem um sistema seguro, para as loterias. E, mesmo assim, teve deputado dizendo que ganhou centenas de vezes... Fraude?

Talvez. Mas cada a fiscalização?

Aí, para livrar-se do problema, para tentar afastar a suspeita, saintily Lulinha vai lá e, com uma penada, resolve acabar com os bingos.

Aí, adeus emprego de muita gente. E adeus diversão de muita gente.

Num país em que tudo é contravenção e onde só vale aquilo que o governo quer, aquilo que lhe dá dinheiro, não é de se estranhar.

Saintily Lulinha agora fala em estatizar os bingos.

E aí?

Vai fazer concurso para preencher as vagas que ele extinguiu?

E qual vai ser o salário dos novos funcionários públicos federais?

Ou serão mais três mil cargos de confiança?

Definitivamente, tem hora em que a emenda fica pior, muito pior que o soneto!...